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| Genética não é destino, by ChatGPT 5.2 |
Quando falamos em genética do comportamento, entramos rapidamente em um território conceitualmente escorregadio. Não porque faltem dados, mas porque nossa intuição costuma falhar. Existe uma tendência quase automática de interpretar “influência genética” como algo simples, direto e determinístico. É exatamente aí que começam os erros. Robert Morris Sapolsky é um dos maiores pesquisadores da atualidade em assuntos envolvendo neurobiologia e comportamento humano. O texto desta publicação do Blog é baseado no seu livro "Comporte-se: A biologia humana em nosso melhor e pior" e trata de um tema de extrema importância no meio acadêmico. Infelizmente, os conceitos apresentados aqui são rotineiramente distorcidos e, como o próprio Sapolsky confessa, precisamos sempre revisá-los antes de qualquer discussão ou apresentação.
Um dos conceitos mais frequentemente citados nesse campo é o chamado coeficiente de herdabilidade. Ele aparece em estudos sobre traços tão diversos quanto agressividade, resiliência ao estresse, comportamento pró-social, posicionamento político ou habilidades cognitivas. Não é raro encontrar números aparentemente impressionantes: 40%, 50%, às vezes mais. O problema é que esses números quase nunca significam o que as pessoas acham que significam.
Para entender isso, é essencial separar duas perguntas que costumam ser misturadas. A primeira é: de que forma os genes influenciam o nível médio de uma característica em uma população? A segunda é: em que medida os genes ajudam a explicar as diferenças entre indivíduos em relação a essa característica? Embora pareçam semelhantes, essas perguntas apontam para fenômenos distintos.
É justamente aqui que surge a confusão entre as palavras "hereditário" e "herdável", ou "hereditariedade" e "herdabilidade". Uma característica pode ser fortemente hereditária, no sentido de que depende claramente de genes para existir e, ainda assim, apresentar baixa herdabilidade. Isso acontece quando quase todas as pessoas compartilham praticamente o mesmo resultado. Por outro lado, uma característica pode ter alta herdabilidade sem que isso signifique que ela seja rigidamente determinada pelos genes. Vamos navegar nesse tema nos próximos parágrafos.
A herdabilidade não é uma propriedade do indivíduo. Ela não diz respeito a você ou a mim. Trata-se de uma medida populacional, estatística, que indica qual porcentagem da variabilidade de determinado fenótipo observado em um grupo específico, em um contexto específico, pode ser atribuída a diferenças genéticas. Mude o ambiente, mude a população, e esse número provavelmente irá variar.
O erro mais comum é assumir que, se algo é altamente hereditário, então é imutável, fixo ou biologicamente determinado. Esse raciocínio ignora completamente o papel do ambiente, das experiências de vida, da cultura e das interações complexas entre todos esses fatores. Em muitos casos, o que os genes fazem não é determinar um resultado, mas modular sensibilidades, probabilidades e respostas a contextos específicos.
Outro problema frequente é a tendência de inflar medidas de herdabilidade e, a partir disso, superestimar o peso dos genes na explicação das diferenças humanas. Isso costuma desviar o foco daquilo que realmente importa: compreender como fatores biológicos e ambientais se entrelaçam ao longo do desenvolvimento, produzindo trajetórias singulares.
Pensar corretamente sobre genética do comportamento exige abandonar explicações simples. Exige aceitar que os genes não “fazem” comportamentos da mesma forma que um interruptor liga uma luz. Eles participam de sistemas complexos, dinâmicos e profundamente dependentes do contexto. Qualquer tentativa de reduzir isso a porcentagens isoladas não apenas empobrece o debate, como frequentemente leva a conclusões equivocadas.
A herdabilidade costuma ser apresentada como uma medida objetiva da influência dos genes, mas, na prática, ela é profundamente dependente do contexto em que é calculada. Um mesmo traço pode parecer totalmente “genético” ou quase irrelevante do ponto de vista genético, dependendo do ambiente em que é observado.
Imagine uma característica simples, como a altura de uma planta, controlada por um único gene, com versões diferentes produzindo tamanhos distintos. Se essa planta for estudada em um único ambiente extremamente uniforme, toda a variação observada será atribuída aos genes, levando a uma estimativa de herdabilidade muito alta. No entanto, se a mesma planta for analisada em ambientes radicalmente diferentes, o fator mais útil para prever sua altura deixa de ser o gene e passa a ser o local onde ela cresceu. Nesse cenário mais amplo, a herdabilidade despenca.
Isso acontece porque a herdabilidade não mede o quanto os genes “importam” em termos absolutos, mas apenas o quanto eles explicam da variabilidade observada dentro de um conjunto específico de condições. Quando o ambiente é artificialmente controlado, reduz-se a variabilidade ambiental e, por consequência, inflaciona-se a contribuição genética. Quanto mais ambientes diferentes entram na análise, mais efeitos ambientais surgem e menor tende a ser a estimativa de herdabilidade.
Essa distinção ajuda a esclarecer paradoxos comuns. Algumas características são claramente hereditárias, no sentido de dependerem de genes para existir, mas apresentam baixa herdabilidade porque quase todos os indivíduos compartilham o mesmo resultado, e as diferenças restantes decorrem de fatores acidentais ou ambientais. Outras características, ao contrário, podem ter alta herdabilidade em determinado contexto histórico e cultural, mesmo não sendo biologicamente “programadas” pelos genes.
O ponto central é que herdabilidade não é sinônimo de determinismo genético. Trata-se de uma medida estatística sensível ao ambiente, ao período histórico, à cultura e às condições experimentais. Quando aplicada a comportamentos humanos e traços psicológicos, essa sensibilidade é ainda maior, o que exige cautela extrema na interpretação de números aparentemente precisos.
Num exemplo hipotético e ideal, considere o desempenho escolar em matemática em uma cidade onde todas as escolas seguem exatamente o mesmo currículo, usam o mesmo material didático, têm professores com formação semelhante e alunos com acesso equivalente a recursos fora da sala de aula. Nesse cenário artificialmente homogêneo, as diferenças de desempenho tenderão a ser atribuídas em grande parte a fatores individuais, elevando a estimativa de herdabilidade. Agora imagine que ampliamos a análise para incluir escolas de regiões com grande desigualdade social, diferenças marcantes na qualidade do ensino, no ambiente familiar e no acesso a estímulos cognitivos. De repente, o fator mais informativo para prever o desempenho deixa de ser o indivíduo e passa a ser o contexto educacional. A herdabilidade cai drasticamente, não porque os genes “deixaram de importar”, mas porque a variabilidade ambiental passou a explicar uma parcela muito maior das diferenças observadas.
Nas palavras de Sapolsky: "A pesquisa atual tem explorado ativamente as interações gene/ambiente. Veja que fascinante: a herdabilidade de diversos aspectos do desenvolvimento cognitivo é bastante alta (por exemplo, em torno de 70% para o QI) em crianças de famílias com alto nível socioeconômico (NSE), mas apenas em torno de 10% nas de baixo NSE. Assim, um alto NSE permite que toda uma gama de influências genéticas na cognição floresça por completo, enquanto as condições de baixo NSE as restringem. Em outras palavras, os genes não quase irrelevantes para o desenvolvimento cognitivo se se você está crescendo em condições de intensa pobreza - os efeitos adversos das circunstâncias superam a genética. De maneira similar, a herdabilidade do consumo de álcool é menor entre indivíduos religiosos, em comparação com não religiosos - isto é, os genes não importam muito se você faz parte de um ambiente religioso que condena a bebida".
Em outro exemplo de condições hipoteticamente controladas, imagine a reatividade emocional em crianças, um componente central do temperamento. Em um grupo criado em ambientes familiares muito semelhantes, com rotinas previsíveis, baixo nível de estresse e cuidadores responsivos, as diferenças de reatividade tendem a parecer fortemente associadas a características individuais, elevando a estimativa de herdabilidade. No entanto, quando essa mesma característica é observada em contextos marcadamente distintos, como famílias expostas a instabilidade econômica, violência ou negligência, o temperamento passa a refletir muito mais a história de interação com o ambiente do que predisposições iniciais. Assim, a herdabilidade do temperamento varia amplamente conforme o contexto, deixando claro que traços emocionais não são expressões fixas dos genes, mas padrões moldados por experiências precoces sobre uma base biológica inicial.
À medida que ampliamos o número de ambientes em que uma característica é observada, a estimativa de herdabilidade tende a cair, porque aquilo que antes parecia uma influência genética estável passa a revelar sua dependência do contexto. Resultados obtidos em um conjunto restrito de condições só podem ser generalizados para populações expostas a ambientes semelhantes. Fora disso, perdem força explicativa. Em espécies que ocupam nichos ambientais limitados, os genes de fato ajudam a explicar boa parte da variabilidade individual. Já nos seres humanos, que vivem em uma diversidade extrema de contextos sociais, culturais e históricos, as taxas de herdabilidade despencam quando deixamos ambientes artificiais e controlados e consideramos o espectro real de experiências possíveis. É nesse ponto que se torna indispensável introduzir o conceito de interação gene/ambiente. Os efeitos de um gene não são fixos nem universais: eles podem variar em magnitude, desaparecer ou até se inverter conforme o ambiente. Perguntar qual é o efeito de um gene sobre um comportamento isoladamente é tão inadequado quanto perguntar qual é o efeito do ambiente sem considerar a constituição biológica do indivíduo. Em muitos casos, a única resposta correta é “depende”. Depende do ambiente em que o gene se expressa e depende da variante genética presente naquele indivíduo. Assim, genes e ambientes não atuam como forças independentes que se somam, mas como sistemas interativos, nos quais o significado biológico de um fator só pode ser compreendido à luz do outro.
Outros exemplos reforçam o mesmo princípio: não existe efeito genético que possa ser descrito fora do ambiente em que ele se manifesta. Certas variantes gênicas só produzem um resultado mensurável quando determinadas condições ambientais estão presentes; fora delas, o efeito desaparece. Mesmo quando pesquisadores tentam eliminar praticamente todas as diferenças ambientais, padronizando idade, manejo, alimentação, iluminação, temperatura e até o tipo de contato humano, ainda assim surgem interações gene/ambiente marcantes. Pequenas variações residuais, invisíveis ou não mensuradas, são suficientes para alterar profundamente o efeito de um mesmo gene. Isso mostra que a sensibilidade dos sistemas biológicos é tamanha que diferenças ambientais mínimas podem amplificar, atenuar ou inverter resultados genéticos, mesmo em contextos altamente controlados.
Diante disso, torna-se conceitualmente equivocado perguntar “o que um gene faz” de forma isolada. O que um gene faz depende do ambiente específico em que ele opera, assim como o efeito de um ambiente depende da variante genética presente. Genes e ambientes não competem entre si pela explicação de um traço, eles se definem mutuamente. Por isso, medidas quantitativas que tentam separar rigidamente a contribuição de cada um tendem a falhar quando aplicadas a indivíduos. Essas estimativas só fazem sentido em nível populacional e sempre dentro de contextos bem delimitados.
A conclusão inevitável é que não há determinismo genético no sentido clássico e inflexível do termo. Mesmo características claramente hereditárias exigem, para sua expressão, não apenas a transmissão do material genético, mas também o contexto que regula como, quando e em que intensidade esse material será utilizado. Falar em genética do comportamento, portanto, não é falar em destinos biológicos fixos, mas em sistemas dinâmicos nos quais biologia e experiência estão entrelaçadas de forma inseparável.
Quando a genética comportamental avança para a identificação de genes específicos associados a traços psicológicos, surgem novos ganhos e novas cautelas. Estudos com gêmeos adotados e análises moleculares permitiram apontar variantes genéticas potencialmente relevantes, mas essas descobertas vêm acompanhadas de advertências claras: muitos achados não se replicam de forma consistente, os efeitos isolados de cada gene costumam ser pequenos e, quase sempre, os resultados mais robustos envolvem interações gene/ambiente. Não se trata de encontrar “o gene do comportamento”, mas de mapear peças modestas de sistemas altamente complexos.
Uma estratégia comum nesses estudos é a abordagem por genes candidatos, na qual se escolhem alvos biologicamente plausíveis com base no conhecimento prévio dos sistemas neuroquímicos envolvidos em determinado comportamento. No caso do neurotransmissor serotonina, por exemplo, faz sentido investigar genes ligados à sua síntese, degradação, transporte e receptores. Modelos animais permitem manipulações precisas (genes inativados, expressos ou alterados em regiões cerebrais e períodos específicos) para observar efeitos comportamentais. Mesmo quando esses efeitos parecem claros em laboratório, a transposição para humanos revela um quadro muito mais dependente do contexto.
Os dados acumulados mostram que variantes em genes do sistema serotoninérgico podem estar associadas a impulsividade, agressividade ou maior vulnerabilidade emocional, mas apenas sob determinadas condições ambientais. Traumas precoces, adversidade social, pobreza extrema ou, ao contrário, ambientes altamente estruturados e protetivos, modulam profundamente se e como essas variantes se manifestam. Em certos contextos, os efeitos genéticos emergem com força. Em outros, tornam-se quase irrelevantes diante do peso das circunstâncias.
O ponto final dessa linha de raciocínio é claro: genes não carregam comportamentos prontos, nem instruções fixas para agir. Eles fornecem possibilidades, sensibilidades e limites, cujo significado só emerge em interação contínua com o ambiente. Perguntar o que um gene “faz”, isoladamente, é uma pergunta mal formulada. A única resposta cientificamente honesta é sempre relacional: depende do contexto, da história de vida e do sistema biológico no qual esse gene está inserido.
Os estudos sobre serotonina e agressividade revelam um quadro muito menos intuitivo do que a fórmula simplificada “baixa serotonina = agressividade”. Diferentes variantes genéticas associadas à produção, degradação, recaptação ou sensibilidade à serotonina podem, em determinados contextos, estar ligadas a maior impulsividade e agressividade, mas os resultados são frequentemente inconsistentes e, às vezes, paradoxais. Em especial, variantes do transportador de serotonina (5-HTT) e da enzima monoaminoxidase A (MAO A) mostraram que níveis cronicamente elevados de serotonina, quando presentes desde fases precoces do desenvolvimento, podem associar-se a maior agressividade reativa, maior ativação da amígdala e da ínsula diante de estímulos ameaçadores e menor recrutamento do córtex pré-frontal, sugerindo pior regulação emocional top down.
A aparente contradição entre achados farmacológicos e genéticos provavelmente se explica pelo fator tempo e pela adaptação neural. Alterações transitórias na serotonina, induzidas por medicamentos, não têm os mesmos efeitos que variações genéticas que modulam esse sistema ao longo de toda a vida. Mudanças crônicas levam a mecanismos compensatórios, como ajustes na densidade de receptores, na velocidade de recaptação ou mesmo em trajetórias do neurodesenvolvimento, produzindo efeitos qualitativamente distintos. Assim, não faz sentido perguntar se “mais” ou “menos” serotonina causa agressividade de forma geral: o efeito depende do gene específico, do período do desenvolvimento, do circuito cerebral envolvido e do ambiente em que essa biologia se expressa.
A discussão em torno da chamada variante de baixa atividade da MAO A tornou-se um exemplo emblemático de como a genética do comportamento pode ser facilmente distorcida quando se ignora a interação gene/ambiente. Estudos longitudinais mostraram que essa variante, isoladamente, não prediz comportamento antissocial nem violência na vida adulta. O efeito só emerge de forma consistente quando combinada a ambientes de adversidade severa na infância, como maus tratos, negligência crônica e exposição precoce à violência. Em contextos familiares estáveis e protetivos, as mesmas características biológicas podem se expressar apenas como maior vigilância, reatividade emocional ou traços temperamentais. O que define o desfecho não é o gene em si, mas o tipo de ambiente no qual ele opera durante o desenvolvimento.
O problema surge quando essa complexidade é reduzida a rótulos simplistas, como o famoso “gene do guerreiro”. Essa alcunha ignora que os efeitos da MAO A são pequenos, inespecíficos e longe de determinísticos, além de envolverem múltiplos sistemas neuroquímicos, não apenas a serotonina. A tentativa de usar essa variante genética como explicação causal para comportamentos violentos, inclusive em contextos jurídicos, representa um erro conceitual grave, que confunde predisposição com destino. A evidência acumulada aponta na direção oposta: genes modulam sensibilidades, não impõem trajetórias fixas. Quando retirados do contexto ambiental e social, esses achados perdem significado científico e se transformam em caricaturas perigosas do que a genética realmente pode explicar sobre o comportamento humano.
Exemplos envolvendo o sistema dopaminérgico reforçam a mesma conclusão central. Variantes genéticas associadas à dopamina não determinam comportamentos específicos, mas modulam a forma como indivíduos respondem a estímulos, recompensas e contextos sociais. Diferenças em genes relacionados à recaptação, degradação ou sensibilidade dopaminérgica podem estar associadas a traços como busca por novidades, impulsividade, extroversão, propensão ao risco e dificuldades atencionais. No entanto, esses efeitos são heterogêneos, frequentemente inconsistentes e fortemente dependentes do ambiente. Uma mesma predisposição biológica pode se expressar como curiosidade intelectual, engajamento criativo ou comportamento exploratório adaptativo em certos contextos, e como condutas impulsivas, desorganizadas ou francamente patológicas em outros.
O caso da variante 7R do gene DRD4 e das variações do gene COMT (catecol-O-metiltransferase) ilustra de forma exemplar essa dependência contextual. Em determinados ambientes, essas variantes se associam a maior impulsividade, menor controle inibitório ou busca por sensações. Em outros, podem estar ligadas a maior engajamento pró-social, generosidade ou capacidade de adaptação a contextos desafiadores. Experiências precoces, segurança do vínculo, pobreza, estresse crônico, exclusão social ou reforços culturais modulam profundamente esses desfechos.
Ao longo de toda essa discussão, emerge uma conclusão inequívoca: genes não explicam comportamentos de forma direta, isolada ou determinística. Medidas de herdabilidade são contextuais, dependentes do ambiente estudado e dizem respeito à variabilidade populacional, não ao destino individual. Interações gene/ambiente não são exceções, mas a regra, e podem amplificar, silenciar ou até inverter efeitos biológicos esperados. Reduzir essa complexidade a rótulos como “gene do guerreiro” ou a explicações simplistas sobre agressividade, impulsividade ou risco é cientificamente equivocado e socialmente perigoso. A genética do comportamento refere-se a sistemas dinâmicos complexos e não-lineares, nos quais biologia e experiência se entrelaçam continuamente, tornando qualquer compreensão séria do comportamento humano necessariamente contextual, probabilística e relacional.
REFERÊNCIA
Sapolsky RM. Comporte-se: A biologia humana em nosso melhor e pior. 1a ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
Por Décio Gilberto Natrielli Filho

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