segunda-feira, 13 de maio de 2024

Nutracêuticos em Transtornos Psiquiátricos

Blog Desvendando a Personalidade
A Neurociência e Neurobiologia do Desenvolvimento Humano

Fonte: https://pronutrition.com.br/nutraceuticos-extratos-naturais-nos-novos-habitos-alimentares/

O estudo dos nutracêuticos, que são substâncias naturais com benefícios médicos e de saúde, tem se expandido consideravelmente na área da psiquiatria. A revisão sistemática intitulada "Nutraceuticals in Psychiatric Disorders: A Systematic Review", publicada no International Journal of Molecular Sciences em 2024, liderada por Paola Bozzatello e sua equipe do Departamento de Neurociência da Universidade de Turim, explora o potencial destes compostos no tratamento de transtornos psiquiátricos. A pesquisa destaca uma conexão significativa entre uma nutrição adequada — rica em fibras, fitoquímicos e ácidos graxos de cadeia curta, como os ácidos graxos ômega-3 — e benefícios para a saúde mental, incluindo a prevenção de transtornos do neurodesenvolvimento. Os ácidos graxos ômega-3, componentes essenciais das membranas celulares neuronais, desempenham um papel crucial na modulação da sinalização celular no cérebro e na composição de ácidos graxos das membranas sinápticas, influenciando diretamente a neurogênese e a neurotransmissão.

Para auxiliar, seguem as siglas utilizadas no artigo e seus significados em português:

1.MDD - Major Depressive Disorder (Transtorno Depressivo Maior)
2.EPA - Eicosapentaenoic Acid (Ácido Eicosapentaenoico)
3.DHA - Docosahexaenoic Acid (Ácido Docosahexaenoico)
4.RCT - Randomized Controlled Trial (Ensaio Clínico Randomizado)
5.TPB - Borderline Personality Disorder (Transtorno da Personalidade Borderline)
6.DSM-5 - Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, Quinta Edição)
7.ASD - Autism Spectrum Disorder (Transtorno do Espectro Autista)
8.NAC - N-Acetylcysteine (N-acetilcisteína)
9.SAMe - S-Adenosylmethionine (S-adenosilmetionina)
10.CANMAT - Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (Rede Canadense para Tratamento de Humor e Ansiedade)

A microbiota intestinal também possui um papel significativo na saúde cerebral, por meio da secreção de ácidos graxos de cadeia curta que afetam a sinalização inflamatória e a atividade neuronal. Alterações no microbioma podem impactar diretamente a capacidade cognitiva e comportamental, com estudos sugerindo que mudanças no microbioma estão relacionadas a alterações na atividade de várias regiões cerebrais. Essas descobertas apoiam a ideia de que o microbioma é um fator determinante na regulação de transtornos neuropsiquiátricos e neurodegenerativos, como a depressão maior e a doença de Alzheimer, relacionados à neuroinflamação.

Baseando-se nos achados recentes, os ácidos graxos ômega-3 foram estudados como um possível tratamento para vários transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia, depressão maior, transtorno bipolar, transtornos do espectro autista e transtornos da personalidade. Embora os dados sobre os efeitos dos nutracêuticos em sintomas psiquiátricos sejam limitados, as evidências existentes sugerem que a suplementação com ácidos graxos ômega-3 beneficia principalmente as dimensões sintomáticas psiquiátricas, como sintomas afetivos, impulsividade e comportamentos nocivos.

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Os ácidos graxos ômega-3 e os nutracêuticos foram avaliados em diferentes fases da esquizofrenia, incluindo indivíduos com elevado risco de desenvolvimento de psicose, pacientes com primeiro episódio psicótico e pacientes nas fases crônicas da doença. Estudos indicaram que a etiologia e a severidade da esquizofrenia podem ser influenciadas por anormalidades genéticas no metabolismo de ácidos graxos, prostaglandinas e fosfolipídios. Níveis reduzidos de ácidos graxos insaturados foram encontrados nas membranas eritrocitárias e nos tecidos cerebrais post-mortem, tanto em pacientes crônicos quanto naqueles não medicados que apresentavam seu primeiro episódio psicótico. A redução na proporção de ácidos graxos ômega-3 nas membranas celulares foi associada também a uma pior funcionalidade antes do início da psicose e pode estar ligada a uma maior gravidade dos sintomas e a uma resposta terapêutica pobre. Observou-se uma relação significativa entre a baixa concentração de ácidos graxos essenciais nos eritrócitos e maior severidade dos sintomas negativos, comprometimento cognitivo e discinesia tardia.

Dados sobre o papel da suplementação de vitaminas e outros nutracêuticos continuam a ser explorados, com a necessidade de mais pesquisas para entender completamente os benefícios potenciais dessas intervenções nos transtornos psicóticos e neuropsiquiátricos. O crescente interesse nas abordagens integrativas que combinam terapias nutricionais e modificação da microbiota, junto com intervenções convencionais, pode oferecer novas esperanças e possibilidades para melhorar a qualidade de vida e os resultados de saúde de indivíduos com transtornos complexos, destacando a necessidade de pesquisas futuras para validar e refinar essas abordagens terapêuticas.

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A investigação também aborda os transtornos depressivos maiores (MDD), condições episódicas e recorrentes caracterizadas por uma depressão evidente do humor e uma perda de interesse, além de uma deterioração significativa das habilidades cognitivas, energia, sono, apetite e pragmatismo, que duram mais de duas semanas, mas geralmente se estendem por vários meses. Apesar da existência de diversos medicamentos antidepressivos, a eficácia ainda é parcial em alguns pacientes, tornando promissora a intervenção com nutracêuticos como tratamento adjuvante para reduzir os sintomas depressivos e melhorar o funcionamento dos pacientes com MDD. Estudos mostraram que pacientes com MDD apresentam níveis mais baixos de EPA e DHA em seus tecidos periféricos comparados a sujeitos controle, sugerindo que a ingestão dietética de ácidos graxos ômega-3 pode estar ligada a um risco reduzido de MDD e à melhoria da integridade da substância branca cerebral. Além disso, as propriedades anti-inflamatórias dos ácidos graxos ômega-3, especialmente o EPA, podem ser cruciais para prevenir o início da depressão.

Ao longo da última década, múltiplos ensaios clínicos randomizados (RCTs) foram realizados sobre os efeitos dos ácidos graxos ômega-3 no tratamento da depressão maior, administrados tanto em monoterapia quanto como suplementação ao tratamento farmacológico ou psicoterapêutico em curso. A maioria dos estudos testou a eficácia da combinação de EPA e DHA, com doses variando de 0,2 a 4 g/dia de EPA e de 0,3 a 1,4 g/dia de DHA. O papel neuromodulador do microbioma e seu impacto na depressão, ansiedade e respostas ao estresse também ganharam grande interesse. Nos últimos dez anos, treze ensaios avaliaram o impacto dos probióticos no transtorno depressivo, com onze estudos mostrando resultados encorajadores. Os probióticos não apenas aliviaram sintomas gastrointestinais e reduziram os níveis de IL-6 no sangue, mas também melhoraram a qualidade do sono e reduziram sintomas ansiosos. Além disso, o aumento da ingestão de vitamina D refletiu-se em uma concentração sérica aumentada em muitos estudos, embora isso não tenha sido sempre o caso, provavelmente devido à baixa dose de vitamina D administrada. Estudos RCTs que avaliaram se o aumento no nível sérico de vitamina D pode melhorar sintomas psiquiátricos relataram uma redução dos sintomas depressivos e ansiosos.

Esta abordagem integrativa ao tratamento da depressão maior, envolvendo suplementos como ácidos graxos ômega-3, probióticos e vitamina D, ilustra a crescente aceitação de tratamentos complementares junto aos métodos convencionais. A inclusão desses agentes aponta para uma estratégia terapêutica mais abrangente, que não apenas aborda os sintomas depressivos diretamente, mas também considera os fatores subjacentes que podem influenciar a saúde mental, como inflamação e desequilíbrios nutricionais. O uso de probióticos, em particular, ressalta a importância do eixo intestino-cérebro e sua relação com o estado emocional e cognitivo, sugerindo que a melhora da flora intestinal pode ter efeitos benéficos significativos nos sintomas de depressão e ansiedade. Ao mesmo tempo, os resultados variáveis em estudos com vitamina D reforçam a necessidade de dosagens adequadas e de mais pesquisas para estabelecer protocolos claros e eficazes de suplementação. Assim, a abordagem moderna para tratar a depressão maior está se tornando cada vez mais holística, incorporando avaliações detalhadas das condições físicas e emocionais do paciente e utilizando uma variedade de intervenções para obter o melhor resultado possível.

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Os transtornos bipolares, incluindo o transtorno bipolar I e o transtorno bipolar II, são caracterizados por episódios recorrentes de depressão maior e hipomania ou mania, com o transtorno bipolar I exigindo pelo menos um episódio maníaco e o transtorno bipolar II caracterizado por pelo menos um episódio de depressão maior e um episódio hipomaníaco. Estes episódios são marcados por alterações significativas no humor e no comportamento, com períodos livres variáveis entre eles. A apresentação inicial mais comum é a depressão, com a idade de início entre 15 e 25 anos, e um diagnóstico e tratamento precoces estão associados a um prognóstico mais favorável.

Investigações crescentes sugerem que mecanismos inflamatórios podem ser mediadores da fisiopatologia nos transtornos bipolares, com desequilíbrios na relação entre os ácidos graxos ômega-3 e ômega-6. Estudos indicam que baixos níveis de EPA e DHA podem ser biomarcadores de risco para pródromo de transtorno bipolar em jovens, e suplementações de ômega-3 mostraram aumentar os níveis desses ácidos graxos e diminuir a conectividade funcional da amígdala, associadas à redução de sintomas depressivos. Além disso, ensaios clínicos têm explorado os efeitos dos ácidos graxos ômega-3 em pacientes com transtorno bipolar, com alguns sugerindo que esses nutrientes podem reduzir sintomas de mania e depressão, melhorar a variabilidade de humor e reduzir biomarcadores inflamatórios, enquanto outros estudos não confirmaram esses dados promissores.

A pesquisa também tem investigado a eficácia da combinação de ácidos graxos ômega-3 com intervenções psicoterapêuticas, observando melhorias nos sintomas depressivos, mas não nos sintomas maníacos. O papel dos probióticos, suplementos de vitamina D e vitamina B6, bem como moduladores mitocondriais como a creatina monoidratada, coenzima Q10 e N-acetilcisteína, também tem sido explorado, com resultados mistos quanto à sua eficácia em reduzir sintomas depressivos e maníacos em pacientes com transtorno bipolar. Estudos adicionais são necessários para avaliar a eficácia desses tratamentos e explorar mais a fundo as interações entre dieta, inflamação e saúde mental no contexto do transtorno bipolar.

Além das abordagens mencionadas, o ácido fólico tem sido estudado como terapia adjuvante no tratamento da depressão maior, e seu potencial também está sendo testado em transtornos bipolares. Em um estudo controlado, o ácido fólico não mostrou uma diferença significativa na incidência de transtornos de humor entre os grupos tratado e placebo. No entanto, uma análise post hoc indicou que o tempo médio para o início de um transtorno de humor era mais longo no grupo que recebeu ácido fólico. Em outro estudo aberto, o L-metilfolato combinado com tratamento usual mostrou eficácia na redução dos sintomas de depressão em pacientes com transtorno bipolar, sugerindo que suplementos como o ácido fólico podem ter um papel complementar no manejo desse transtorno.

Esses estudos sublinham a complexidade do manejo do transtorno bipolar e a necessidade de uma abordagem multifacetada que inclua tanto intervenções farmacológicas quanto nutricionais e psicoterapêuticas. O interesse crescente na modulação mitocondrial e na influência do microbioma intestinal reflete uma expansão no entendimento de como fatores biológicos diversos podem interagir com a patogênese do transtorno bipolar. A continuidade da pesquisa é crucial para desenvolver tratamentos mais eficazes e personalizados que possam oferecer melhores resultados para os pacientes, abrindo novas vias para intervenções terapêuticas mais integradas e informadas.

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O efeito dos ácidos graxos ômega-3 e nutracêuticos nos transtornos da personalidade tem sido principalmente testado em pacientes com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB). O TPB é um transtorno mental duradouro e prevalente, caracterizado por impulsividade, instabilidade afetiva, sentimentos crônicos de vazio e raiva, baixo limiar para tolerar separação, autoimagem e autoconceito distorcidos, episódios dissociativos e relações interpessoais disfuncionais. O modelo híbrido dimensional-categórico do DSM-5 descreve os transtornos da personalidade em termos de cinco domínios: afetividade negativa, antagonismo, desinibição, desapego e psicoticismo, sendo o TPB diagnosticado quando traços de três domínios estão presentes: afetividade negativa, antagonismo e desinibição.

Várias investigações mostraram um efeito positivo dos ácidos graxos ômega-3 sobre sintomas impulsivos e agressivos em indivíduos saudáveis e em pacientes psiquiátricos, incluindo aqueles com transtornos do espectro autista, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e transtorno bipolar. Um RCT de 12 semanas testou a suplementação de 1.2 g/dia de EPA e 0.6 g/dia de DHA juntamente com a terapia usual baseada em ácido valpróico em pacientes com TPB, mostrando melhorias nos sintomas, particularmente em relação a sintomas impulsivos, descontrole comportamental, raiva e comportamentos autolesivos, com estudos de seguimento indicando que essas melhorias persistem em relação às explosões de raiva.

Estudos recentes sugerem que esses compostos são úteis quando usados em combinação com farmacoterapias convencionais para reduzir sintomas depressivos, impulsividade, autoagressão e explosões de raiva. A revisão sistemática da Cochrane sobre o tratamento farmacológico do TPB sugere que, além de antipsicóticos, estabilizadores de humor e antidepressivos, os ácidos graxos ômega-3 mostraram efeitos sobre raiva, sintomas psicóticos breves e fenômenos dissociativos, embora uma nova edição desta revisão tenha questionado o valor dessa evidência.

Além disso, foi observada uma associação entre o microbioma intestinal e aspectos do neuroticismo em um estudo coreano, mostrando uma correlação inversamente proporcional entre a vulnerabilidade à ansiedade e a riqueza da flora microbiana intestinal. Alguns autores destacaram um papel significativo para os processos de desenvolvimento precoce, incluindo estresse pré-natal e disbiose materna, com efeitos mediados pelo microbioma intestinal infantil e sua influência no desenvolvimento da amígdala, que pode explicar algumas das anormalidades presentes no TPB, como a ativação excessiva da amígdala em relação a emoções negativas e a regulação frontal reduzida. É necessário investigar se os altos níveis de estresse e disforia frequentemente associados ao TPB mediam algumas de suas consequências através da disbiose intestinal e do aumento da permeabilidade intestinal.

Diferenças na microbiota intestinal de pacientes com Transtorno da Personalidade Borderline em comparação com controles foram encontradas na proporção Bacteroidetes/Firmicutes, um marcador amplamente utilizado para detectar alterações na composição microbiana intestinal. Essa proporção foi maior nos pacientes com TPB, especialmente quando ajustada para índice de massa corporal (IMC) e depressão. Além disso, diferenças na composição taxonômica da microbiota intestinal foram identificadas, revelando uma possível disbiose entre as bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta no TPB.

Esses achados sublinham a complexidade dos transtornos da personalidade e a influência de fatores biológicos, como o desequilíbrio de nutrientes e a saúde do microbioma intestinal, que podem afetar o comportamento e a estabilidade emocional dos pacientes. A integração de tratamentos que abordam esses aspectos biológicos, juntamente com terapias psicológicas e farmacológicas, pode oferecer uma abordagem mais holística e eficaz no manejo de transtornos como o TPB. A continuação da pesquisa é essencial para aprimorar nossa compreensão dessas interações e desenvolver intervenções mais precisas que possam mitigar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com transtornos da personalidade complexos.

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Ao longo da última década, várias revisões narrativas, revisões sistemáticas e meta-análises foram realizadas sobre nutracêuticos em transtornos psiquiátricos. Os dados coletados sugerem que o EPA pode ser mais eficaz do que a composição de ácidos graxos em geral nas fases iniciais e crônicas da esquizofrenia, mas ainda são necessários mais estudos com medidas de resultado padronizadas e períodos de acompanhamento mais longos. A eficácia dos ácidos graxos ômega-3 em transtornos do espectro autista não foi confirmada, com resultados conflitantes. Algumas revisões indicam que não houve diferenças significativas na gravidade dos sintomas de autismo após o tratamento com ácidos graxos ômega-3, exceto por letargia, estereotipias e hiperatividade. No entanto, a combinação de ácidos graxos ômega-3 e vitamina D produziu alguns bons efeitos nos resultados sociais e comportamentais desses pacientes.

Meta-análises mostraram resultados positivos para EPA e DHA em monoterapia e em combinação com outros medicamentos, particularmente como terapia adjuvante para transtorno depressivo maior moderado a grave. No entanto, alguns autores afirmaram que a qualidade da evidência não era suficiente para determinar a eficácia dos ácidos graxos ômega-3 no tratamento da depressão. Em transtornos da personalidade, uma revisão recente avaliou se os ácidos graxos ômega-3 melhoravam os sintomas do transtorno da personalidade Borderline, com resultados mais consistentes relacionados à desregulação afetiva e descontrole comportamental impulsivo.

As revisões que consideraram a tolerabilidade dos ácidos graxos ômega-3 foram concordantes em mantê-los como seguros e bem tolerados em todos os transtornos psiquiátricos, exceto por alguns episódios de diarreia ou disgeusia. Dado que a disbiose é frequentemente descoberta em pacientes com transtornos psiquiátricos, probióticos e prebióticos receberam considerável atenção como potenciais terapias psiquiátricas. Uma revisão sistemática argumentou que poucas inferências podem ser feitas sobre a eficácia dos probióticos na esquizofrenia e que a utilidade clínica dos probióticos neste transtorno ainda precisa ser validada por ensaios clínicos futuros.

Quanto ao ASD, apesar de resultados pré-clínicos promissores, prebióticos e probióticos mostraram eficácia limitada no manejo dos sintomas comportamentais em crianças com ASD, sendo necessários estudos com cepas padronizadas e durações fixas. A deficiência de vitamina D neonatal parece estar ligada a um risco aumentado de esquizofrenia. Além disso, pacientes com início psicótico e esquizofrenia estável têm um risco aumentado de deficiência de vitamina D em comparação com controles saudáveis, mas esses dados devem ser interpretados com cautela, pois os níveis reduzidos de vitamina D circulante podem ser devido à saúde geral pobre e à dieta frequentemente desequilibrada típica de pacientes com psicose.

Uma meta-análise focada nos níveis de vitamina D materna e neonatal mostrou uma tendência de concentração reduzida de vitamina D no início da vida em pacientes com transtorno do espectro autista, sugerindo que crianças com redução da vitamina D materna ou neonatal têm uma probabilidade 54% maior de desenvolver ASD. As diretrizes da Rede Canadense para Tratamento de Humor e Ansiedade (CANMAT) concluíram que, entre os nutracêuticos com evidência de grau A, foram encontrados níveis variados de suporte para ácidos graxos ômega-3 adjuntos, vitamina D, probióticos adjuntos, zinco, metilfolato e S-adenosilmetionina (SAMe) no tratamento da depressão unipolar. No transtorno bipolar, os ácidos graxos ômega-3 tiveram evidência fraca de eficácia para depressão bipolar, enquanto o NAC não foi recomendado. Vitamina D, NAC e metilfolato foram recomendados em graus variados no tratamento dos sintomas negativos da esquizofrenia, enquanto os ácidos graxos ômega-3 não foram, embora as evidências sugiram um papel para a prevenção da transição para psicose em jovens de alto risco com possível deficiência pré-existente de ácidos graxos.

Essa ampla gama de investigações e descobertas reflete um campo emergente que busca abordar transtornos psiquiátricos com uma perspectiva integrativa, combinando terapia nutricional e farmacológica. A complexidade dos mecanismos subjacentes aos transtornos mentais requer uma abordagem holística que considere tanto as intervenções médicas quanto as dietéticas, enfatizando a importância de estudos adicionais para refinar as estratégias terapêuticas e maximizar os benefícios para a saúde mental dos pacientes.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Bozzatello P, Novelli R, Montemagni C, Rocca P, Bellino S. Nutraceuticals in psychiatric disorders: A systematic review. Int J Mol Sci. 2024;25:4824. Disponível em: https://doi.org/10.3390/ijms25094824.



Por Décio Gilberto Natrielli Filho

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