Blog Desvendando a Personalidade
A Neurociência e Neurobiologia do Desenvolvimento Humano
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| Artista: Igor Morski Fonte: https://displate.com/igormorski/brain |
Um estudo multicêntrico publicado na Revista Molecular Psychiatry, em Dezembro de 2022, liderado por Douglas T. Leffa, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (Rio Grande do Sul, Brasil) e da Universidade de Pittsburgh (Estados Unidos), encontrou uma associação entre risco genético aumentado para Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), declínio cognitivo e desenvolvimento de patologia compatível com Doença de Alzheimer.
Os autores estudaram 212 adultos entre 55 e 90 anos de idade durante 6 anos. Utilizaram modelos de risco genético para o TDAH, que são considerados biomarcadores associados à maior vulnerabilidade para o transtorno, avaliação cognitiva, ressonância magnética (RM), tomografia por emissão de pósitrons (PET) com marcador beta-amiloide (β-amiloide) e dosagem de proteína Tau fosforilada no líquido cefalorraquidiano (LCR).
Uma das principais conclusões da pesquisa foi que indivíduos que apresentavam maiores escores de risco genético para TDAH e evidências de depósitos de proteína β-amiloide no início do estudo evoluíram com maior declínio cognitivo durante os 6 anos de acompanhamento. Importante enfatizar que nenhum dos participantes do estudo havia sido diagnosticado clinicamente com TDAH na infância.
Como qualquer interpretação de artigos acadêmicos, não podemos traçar generalizações a partir de relações estatísticas e devemos sempre nos ater às limitações inerentes à ciência. Na discussão do estudo, os autores afirmaram que maior risco genético para o TDAH estava associado a um declínio cognitivo progressivo, principalmente da memória. Além disso, o declínio cognitivo foi observado em indivíduos considerados positivos para patologia β-amiloide, sugerindo que uma vulnerabilidade genética para o TDAH também conferiria uma susceptibilidade cognitiva na presença de patologia β-amiloide.
Completando os resultados, naqueles indivíduos considerados positivos para patologia β-amiloide, maiores escores de risco genético para TDAH estavam associados a um aumento longitudinal na proteína Tau fosforilada do LCR e atrofia cerebral nas regiões frontal e parietal.
"Esses achados sugerem que a vulnerabilidade genética para o TDAH aumenta a suscetibilidade ao declínio cognitivo, patologia Tau e neurodegeneração na presença de patologia β-amiloide no cérebro de indivíduos mais velhos" (LEFFA et al., 2022).
Este estudo tem importância devido às observações de déficits cognitivos no ciclo vital de pessoas com TDAH. Além disso, em adultos mais velhos com o diagnóstico de TDAH, as alterações cognitivas aproximam-se de manifestações precoces de doenças neurodegenerativas. Portanto, os pesquisadores têm direcionado sua atenção à possibilidade de associação do TDAH com o transtorno cognitivo leve e a Doença de Alzheimer, mas os estudos, até o momento, são caracterizados por limitações metodológicas que não permitem essa associação direta.
REFERÊNCIA
Leffa DT, Ferrari-Souza JP, Bellaver B, et al. Genetic risk for attention-deficit/hyperactivity disorder predicts cognitive decline and development of Alzheimer's disease pathophysiology in cognitively unimpaired older adults. Mol Psych, 2022. doi.org/10.1038/s41380-022-01867-2
Por Décio Gilberto Natrielli Filho


EXCELENTE TRABALHO. PARABÉNS ❤️
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