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| Fonte: https://www.medicalnewstoday.com/articles/323741 |
O QUE É “SÍNDROME ASPERGER”?
Em 1944, um médico austríaco chamado Hans Asperger, publicou um ensaio sobre crianças que tinham dificuldades de integrar-se socialmente em grupos. Na publicação, o autor denominou o quadro de “psicopatia autista” para descrever a natureza estável do transtorno. As crianças, que exibiam um prejuízo social marcante, lembravam aquelas descritas por Leo Kanner em 1943, mas apresentavam a linguagem e o nível intelectual bem preservados.
Entretanto, Asperger pensava que essas crianças representavam um quadro diferente do autismo descrito por Kanner, já que não desenvolviam alterações comportamentais importantes, demonstravam algumas capacidades ou habilidades cognitivas especiais, desenvolviam uma fala gramatical em idade precoce, não apresentavam sintomas antes do terceiro ano de vida e tinham um bom prognóstico.
O ensaio de Asperger foi publicado na língua alemã e permaneceu praticamente desconhecido até 1981, quando a pesquisadora britânica Lorna Wing descreveu um grupo de indivíduos de funcionamento relativamente alto com prejuízos acentuados na interação social, popularizando o termo “Síndrome de Asperger”. Durante muitos anos o Transtorno de Asperger foi considerado um subtipo dos Transtornos Globais do Desenvolvimento, que incluía o Transtorno Autista, mas desde a publicação da 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) em 2013, da Associação Americana de Psiquiatria (APA), esses diagnósticos foram incluídos numa única categoria chamada de “Transtorno do Espectro Autista” (TEA). De acordo com o DSM-5, “muitos indivíduos anteriormente diagnosticados com Transtorno de Asperger atualmente receberiam um diagnóstico de transtorno do espectro autista sem comprometimento linguístico ou intelectual”.
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| Fonte: https://www.coursesforsuccess.com/products/asperger-syndrome-awareness-ns |
QUAIS AS CAUSAS, SINTOMAS E TRATAMENTOS DO TRANSTORNO DE ASPERGER?
As causas do Transtorno de Asperger ou do TEA não estão esclarecidas. Sabe-se atualmente que se trata de um grupo de pacientes com sintomas característicos, mas que podem corresponder a diversas síndromes neuroevolutivas, com hereditariedade poligênica, fatores envolvendo a interação gene-ambiente que influenciariam o desenvolvimento dos neurônios e o processamento de informações neuronais, fatores imunológicos, pré-natais e perinatais, além de uma associação com algumas alterações neurológicas.
Os sintomas incluem indicações de deficiência nas habilidades sociais, como gestos comunicativos não verbais bastante anormais e dificuldade para desenvolver relacionamentos interpessoais conforme esperado. A presença de interesses e de padrões de comportamentos restritos é comum, não apresentam comprometimento da linguagem e do nível intelectual.
Os objetivos do tratamento desses pacientes consistem em:
a)Estimular a comunicação social;
b)Estimular o relacionamento com familiares, ambiente escolar e ambientes sociais;
c)Incentivar o desenvolvimento de uma vida independente e, se possível, acadêmica (indivíduos com Transtorno de Asperger costumam apresentar ótimo rendimento acadêmico, incluindo formação universitária).
Não existe um tratamento específico para o Transtorno de Asperger. Encontramos uma variedade de abordagens psicossociais e, se necessário, farmacológicas, que podem auxiliar os pacientes a se desenvolverem conforme as metas acima descritas.
Dentre as intervenções psicossociais temos:
1)Intervenções evolutivas e comportamentais intensivas e precoces;
2)Abordagens às habilidades sociais;
3)Intervenções comportamentais e Terapia Cognitivo-comportamental para comportamentos repetitivos e sintomas associados;
4)Intervenções educacionais.
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| Foto: https://depositphotos.com/120139086/stock-photo-autism-syndrome-word-cloud.html |
QUAL A DIFERENÇA ENTRE ASPERGER E AUTISMO?
Atualmente, nenhuma. Conforme descrito anteriormente os 02 diagnósticos pertencem à categoria TEA.
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| Foto: https://depositphotos.com/vector-images/five-senses-cartoon.html |
O QUE É TRANSTORNO DE PROCESSAMENTO SENSORIAL (TPS)?
O processamento sensorial envolve nossos sentidos (olfato, paladar, audição, visão e tato) e a sua adequada integração cerebral é necessária para o devido funcionamento de outras funções do sistema nervoso central. Esta integração é realizada por diversos núcleos subcorticais e regiões corticais cerebrais, visando a adaptação dos indivíduos aos estímulos do ambiente e também do próprio organismo.
Alterações sutis neste sistema de processamento sensorial podem resultar em prejuízos cognitivos e comportamentais, resultando em respostas aumentadas (hiper) ou diminuídas (hipo) a sons, tato, odores, luminosidade ou sabores. Os sentidos mais envolvidos em alterações do processamento sensorial são a audição e o tato, principalmente por uma hiperreatividade. Este quadro, conhecido na língua portuguesa como Transtorno de Processamento Sensorial, ainda não é reconhecido como um diagnóstico médico. Entretanto, a inclusão no DSM-5 do critério de hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais em pacientes com transtorno do espectro autista aumentou a atenção para o estudo de indivíduos com alterações no processamento sensorial.
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| Fonte: https://www.spdstar.org/node/1114 |
QUAIS OS SINTOMAS, CAUSAS E TRATAMENTOS DO TPS?
Não existe uma causa estabelecida. Estudos recentes identificaram alterações na integridade da substância branca cerebral, no volume do lobo frontal e na organização neural do córtex somatossensorial (região que recebe os estímulos táteis).
Os sintomas do Transtorno de Processamento Sensorial envolvem geralmente uma sensibilidade aumentada a estímulos sonoros e táteis (estes são os mais comuns) do ambiente. Algumas pessoas podem apresentar, por exemplo, alterações do humor e mudanças no comportamento frente a um barulho ou toque, visando ao afastamento do desconforto gerado pelo estímulo. Essas mudanças também podem interferir nas interações sociais, no processamento de outras informações do ambiente e na capacidade de sustentar a atenção para as atividades diárias.
Na suspeita de que uma pessoa apresente este quadro clínico, torna-se importante uma avaliação multiprofissional, a qual também irá direcionar o tratamento, que pode envolver profissionais de diversas áreas, como neurologia, psiquiatria, psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e pedagogia. Considerando este referencial, as alterações do processamento sensorial devem ser incluídas dentro de um diagnóstico mais amplo, que pode incluir Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (incluindo Transtorno de Asperger), Outros Transtornos do Neurodesenvolvimento, Transtornos Mentais Orgânicos e Doenças Neurológicas.
QUAL A LIGAÇÃO DELE COM O AUTISMO?
Acrescentando ao que já foi descrito, pacientes com TEA podem apresentar hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente (p. ex., indiferença aparente a dor ou temperatura, reação contrária a sons ou texturas específicas, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, fascinação visual por luzes ou movimento).
REFERÊNCIAS
DSM-5. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
Papalia DE, Feldman RD. Desenvolvimento humano. 12ª ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.
Ratey JJ. O cérebro - um guia para o usuário: Como aumentar a saúde, agilidade e longevidade de nossos cérebros através das mais recentes descobertas científicas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
Sadock BJ, Sadock V, Ruiz P. Compêndio de psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria clínica. 11ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
Schmitz M, Pheula GF, Ludwig HT, Rohde LA. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade. In: Kapczinski F, et al. Bases biológicas dos transtornos psiquiátricos: uma abordagem translacional. 3 ed. rev. e atual. Porto Alegre: Artmed, 2011.
Thapar A, Pine DS, Leckman JF, et al. Rutter’s child and adolescent psychiatry. Sixth edition. Wiley Blackwell: UK, 2015.





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