segunda-feira, 3 de junho de 2024

O Impacto da Vitamina D na Redução do Risco de Autismo e TDAH

Blog Desvendando a Personalidade
A Neurociência e Neurobiologia do Desenvolvimento Humano
By DALL-E

Esta publicação descreve os principais resultados da pesquisa "High-dose vitamin D3 supplementation in pregnancy and risk of neurodevelopmental disorders in the children at age 10: A randomized clinical trial", publicada na revista The American Journal of Clinical Nutrition em 2024 por Kristina Aagaard e colaboradores. Este estudo faz parte do projeto COpenhagen Prospective Study on Neuro-PSYCHiatric Development (COPYCH), que está inserido dentro do Copenhagen Prospective Studies on Asthma in Childhood 2010 (COPSAC2010).

O objetivo do estudo foi estimar o efeito da suplementação de vitamina D3 em altas doses durante a gravidez no risco de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) nas crianças aos 10 anos de idade. A deficiência de vitamina D durante a gravidez é um problema comum e tem sido associada ao aumento do risco de transtornos do neurodesenvolvimento em vários estudos observacionais, embora os resultados sejam ambíguos e possivelmente influenciados por fatores como dieta, estilo de vida e estação do ano.

Este estudo clínico randomizado envolveu 700 pares de mães e filhos saudáveis, inscritos na 24ª semana de gravidez. As mães foram divididas aleatoriamente para receber uma dose alta de vitamina D3 (2800 IU/dia) ou uma dose padrão (400 IU/dia) até uma semana após o parto. Aos 10 anos, as crianças foram avaliadas quanto à presença de TEA e TDAH usando a versão para crianças em idade escolar do Kiddie-Schedule for Affective Disorders and Schizophrenia for School-Age Children-Present and Lifetime Version (K-SADS-PL). Os resultados mostraram que 16 crianças (2,7%) foram diagnosticadas com TEA e 65 (11,0%) com TDAH. 

O estudo encontrou que níveis mais altos de 25-hidroxi-vitamina D (25(OH)D) materna antes da intervenção estavam associados a um risco reduzido de TEA, menor carga de sintomas autistas e um risco reduzido de diagnóstico de TDAH. No entanto, a suplementação de vitamina D3 em altas doses durante a gravidez não teve efeito significativo sobre o risco de TEA ou TDAH.

Os métodos do estudo incluíram a medição dos níveis de 25(OH)D materna antes e após a intervenção, bem como a medição dos níveis de 25(OH)D nas crianças aos 6 meses e aos 6 anos de idade. As análises estatísticas foram ajustadas para fatores de confusão conhecidos, como níveis de 25(OH)D antes da intervenção, estação do ano, sexo da criança e suplementação com ácidos graxos ômega-3.

Os resultados mostraram que níveis mais altos de 25(OH)D materna antes da intervenção estavam associados a uma redução no risco de TEA e na carga de sintomas autistas, bem como a uma redução no risco de diagnóstico de TDAH. No entanto, a suplementação de vitamina D3 em altas doses durante a gravidez não teve efeito significativo no risco de autismo ou TDAH nas crianças aos 10 anos.

Em termos de limitações, o estudo foi limitado pelo baixo número de casos clinicamente avaliados de TEA, o que pode ter influenciado a detecção de um efeito significativo da intervenção. Além disso, o estudo não conseguiu determinar se uma dose mais alta iniciada mais cedo na gravidez ou mesmo antes da gravidez teria causado um efeito diferente. Outra limitação foi a falta de informações sobre o estado de saúde mental dos pais, o que é um fator de confusão importante considerando que tanto o TEA quanto o TDAH são altamente hereditários.

As implicações para a prática clínica incluem a necessidade de mais estudos para confirmar se a suplementação de vitamina D durante a gravidez pode reduzir o risco de transtornos do neurodesenvolvimento. Além disso, os profissionais de saúde devem considerar monitorar os níveis de vitamina D das gestantes como parte dos cuidados pré-natais, embora a suplementação de altas doses de vitamina D durante a gravidez não tenha mostrado um efeito protetor claro neste estudo específico. A relação entre a vitamina D e o desenvolvimento neuropsiquiátrico é complexa e requer mais pesquisas para entender completamente seu papel e impacto. Em conclusão, enquanto níveis mais altos de vitamina D materna antes da intervenção estavam associados a uma redução no risco de TEA e TDAH, a suplementação de altas doses de vitamina D3 durante a gravidez não teve um efeito significativo na redução do risco de transtornos do neurodesenvolvimento nas crianças aos 10 anos de idade. Mais pesquisas são necessárias para explorar a dosagem, o timing e os mecanismos pelos quais a vitamina D pode influenciar o desenvolvimento neuropsiquiátrico.


REFERÊNCIA

Aagaard K, Jepsen JRM, Sevelsted A, Horner D, Vinding R, Rosenberg JB, Brustad N, Eliasen A, Mohammadzadeh P, Følsgaard N, Hernández-Lorca M, Fagerlund B, Glenthøj BY, Rasmussen MA, Bilenberg N, Stokholm J, Bønnelykke K, Ebdrup BH, Chawes B. High-dose vitamin D3 supplementation in pregnancy and risk of neurodevelopmental disorders in the children at age 10: A randomized clinical trial. Am J Clin Nutr. 2024;119(2):362-370. 


Por Décio Gilberto Natrielli Filho


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