quarta-feira, 5 de junho de 2024

Altas Habilidades e Superdotação no Autismo

Blog Desvendando a Personalidade
A Neurociência e Neurobiologia do Desenvolvimento Humano 

By DALL-E

A consistência das publicações sobre altas habilidades e superdotação em indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta um panorama variado. Estudos indicam que há uma diversidade significativa nas capacidades cognitivas e acadêmicas desses indivíduos, refletindo tanto em áreas de talento quanto em dificuldades específicas. Por exemplo, pesquisas revelam que alguns indivíduos com TEA apresentam habilidades matemáticas excepcionais, enquanto outros podem ter déficits significativos nessa área (CHIANG & LIN, 2007; CHEN et al., 2019). Há casos documentados de superdotação linguística em crianças com TEA, que destacam perfis cognitivos únicos, como habilidades verbais elevadas combinadas com dificuldades em sistemas linguísticos mais abertos, como a semântica (MELOGNO et al., 2015). A literatura também aponta a coexistência de dificuldades psicossociais em indivíduos superdotados com TEA, destacando a necessidade de avaliações abrangentes que considerem tanto as capacidades acadêmicas quanto os aspectos socioemocionais (NICPON et al., 2010).

Superdotação e altas habilidades são termos frequentemente usados de maneira intercambiável na literatura educacional e psicológica, mas podem apresentar nuances conceituais distintas. Superdotação geralmente se refere a uma capacidade intelectual significativamente acima da média em uma ou mais áreas cognitivas, como raciocínio matemático ou compreensão verbal. O conceito de "altas habilidades", por outro lado, costuma ser empregado para descrever indivíduos que mostram um desempenho excepcional em áreas específicas como arte, música ou habilidades mecânicas. Essa distinção sugere que, enquanto a superdotação pode ser vista como uma ampla capacidade intelectual, as altas habilidades se referem a competências excepcionais em campos especializados. Portanto, enquanto todos os superdotados podem ser considerados de altas habilidades em algum aspecto, nem todos os indivíduos de altas habilidades se enquadram nos critérios tradicionais de superdotação. Para a finalidade desta publicação, o termo superdotação será o mais utilizado.

Indivíduos "duplamente excepcionais" (2e) são aqueles que são superdotados e apresentam um transtorno mental associado, como TEA, transtornos de aprendizagem, TDAH, deficiências sensoriais ou outras. Indivíduos duplamente excepcionais são difíceis de diagnosticar, pois demonstram forças e déficits críticos, o que exige uma abordagem abrangente e multidimensional para a identificação (LUOR et al., 2021).

Segundo Boschi et al, (2016), na área de superdotação podem ser identificados quatro casos, por vezes inter-relacionados, em que este termo é utilizado para descrever: (1) alunos de alto rendimento acadêmico; (2) indivíduos que pontuam pelo menos 2 Desvios Padrão (DP) acima da média em testes intelectuais (QI de 130 ou mais nas Escalas Wechsler, amplamente utilizadas); (3) indivíduos que demonstram talento excepcional em uma ou mais áreas de habilidade e (4) um perfil particular de indivíduos com alta capacidade intelectual que também possuem especificidades socioemocionais. Essas definições de superdotação baseiam-se em diferentes concepções da realidade fenomenológica que este termo evoca e em diferentes modelos de inteligência. No primeiro caso, a superdotação trata de desempenho acadêmico. No segundo, reflete um alto nível de capacidades intelectuais, que não são uma garantia de desempenho acadêmico, enquanto o terceiro caso refere-se ao desenvolvimento de habilidades naturais que dependem de treinamento regular, em qualquer domínio da inteligência geral, baseado em modelos pluralistas de inteligência. Finalmente, a última concepção de superdotação deriva principalmente da prática clínica.

O TEA Savant, também conhecido como Síndrome de Savant, é uma condição extraordinária e rara que é prevalente em indivíduos com TEA. Caracteriza-se por áreas específicas de funcionamento intelectual extraordinário que contrastam com a deficiência geral. Na população em geral, a prevalência de indivíduos com habilidades savant é inferior a 1%; enquanto na população de indivíduos com TEA, a prevalência é de quase 10%. Savants autistas são indivíduos que apresentam o TEA, mas exibem habilidades extraordinárias que não são comumente encontradas em outras pessoas. Eles podem demonstrar uma ou várias habilidades savant especiais, como habilidades fragmentadas (por exemplo, obsessão em memorizar informações complexas e números), habilidades talentosas (por exemplo, capacidade de se tornar um artista ou pintor talentoso) e/ou habilidades prodigiosas (por exemplo, tocar uma peça musical inteira em um instrumento musical após ouvi-la apenas uma vez) (LUOR et al., 2021). O termo "savant" foi usado principalmente nas décadas de 1980 e 1990, mas tem sido pouco empregado na literatura atual, correspondendo, nesse caso, ao conceito de altas habilidades.

Apesar das descobertas consistentes sobre características específicas, como habilidades não-verbais superiores em indivíduos com TEA e altas habilidades (BURGER-VELTMEIJER et al., 2011), a falta de uma conceituação teórica clara do fenômeno SI (superdotação intelectual) + TEA ainda é evidente. Estudos recentes mostram que há uma necessidade crescente de pesquisas que abordem essas características de forma mais profunda e sistemática, para desenvolver procedimentos de avaliação que sejam tanto baseados em classificações quanto nas necessidades dos indivíduos (LUOR et al., 2021). A análise das publicações sugere que, embora haja consenso sobre algumas características cognitivas e acadêmicas, a compreensão das nuances e variações dentro desta população ainda requer maior investigação empírica (BOSCHI et al., 2016; GELBAR et al., 2021). 

Num cenário mais amplo, superdotação refere-se a indivíduos que demonstram níveis excepcionais de aptidão ou competência em uma ou mais áreas, como habilidades intelectuais, criativas, artísticas, de liderança, ou em campos acadêmicos específicos. Esses indivíduos não apenas mostram um desempenho significativamente acima da média, mas também possuem uma capacidade elevada de aprendizado e processamento de informações, frequentemente necessitando de adaptações educacionais para atender suas necessidades especiais e maximizar seu potencial. Estudos destacam a importância de identificar e nutrir essas habilidades para promover o desenvolvimento integral desses indivíduos (GALBRAITH & DELISLE, 2015).

A primeira tentativa formal de definir a superdotação foi feita por Lewis Terman, um psicólogo americano, na década de 1920. Ele foi pioneiro no estudo da inteligência e superdotação, utilizando testes de QI para identificar indivíduos superdotados. Terman é amplamente reconhecido por seu trabalho na identificação e estudo das crianças superdotadas através do desenvolvimento e aplicação do teste Stanford-Binet de inteligência.

Joseph Renzulli é uma figura proeminente neste campo. Seu trabalho foca na identificação e no desenvolvimento da superdotação em estudantes. Um de seus principais conceitos é a Concepção dos Três Anéis de Superdotação, que propõe que a superdotação surge da interação de três clusters de características: habilidades acima da média, criatividade e comprometimento com a tarefa. Esse modelo tem sido amplamente influente na identificação e no fomento da superdotação em contextos educacionais. Além disso, Renzulli desenvolveu o Modelo de Enriquecimento Escolar (MEE), que visa proporcionar experiências de aprendizado enriquecidas e oportunidades de aprendizagem avançadas para todos os estudantes, não apenas para aqueles identificados como superdotados. Esse modelo enfatiza uma ampla gama de atividades e modificações curriculares para aprimorar o potencial de aprendizagem dos alunos. Seu trabalho destaca a importância de identificar indivíduos superdotados através de múltiplos critérios e desenvolver suas habilidades por meio de experiências educacionais personalizadas. Seus métodos defendem a necessidade de uma abordagem flexível e dinâmica na educação.

Outro modelo significativo proposto por Renzulli é o Modelo de Tríade de Enriquecimento, que inclui três tipos de atividades de enriquecimento: Tipo I: atividades exploratórias gerais; Tipo II: atividades de treinamento em grupo; e Tipo III: investigações individuais e em pequenos grupos de problemas reais. Esse modelo visa fornecer uma ampla gama de oportunidades e experiências de aprendizado para desenvolver o potencial dos alunos. As contribuições de Renzulli têm moldado significativamente este campo da educação, focando em uma abordagem ampla para identificar e desenvolver o indivíduo através de vários modelos e atividades de enriquecimento (VIRGOLIM, 2014).

Pessoas com SI + TEA apresentam um conjunto de características clínicas únicas que refletem a intersecção dessas duas condições. Clinicamente, esses indivíduos podem exibir habilidades cognitivas excepcionalmente altas em áreas específicas, como matemática, música ou arte, enquanto simultaneamente apresentam dificuldades significativas nas habilidades sociais e na comunicação. Eles frequentemente demonstram interesses intensos e altamente focados, com uma capacidade notável para se aprofundar em detalhes complexos. Apesar dessas habilidades, desafios sociais, comportamentais e sensoriais típicos do TEA, como a dificuldade em interpretar pistas sociais, comportamentos repetitivos e sensibilidade a estímulos sensoriais, também estão presentes, criando um perfil clínico que combina extremos de capacidade intelectual com vulnerabilidades sociais e comportamentais (MACLEOD, 2010; NEUHAUS et al., 2021).

Além das dificuldades de comunicação e interação social, indivíduos com TEA podem demonstrar comportamentos restritos e repetitivos, tais como a adesão rígida a rotinas e interesses intensos e específicos. Esses comportamentos podem ser tanto uma manifestação das suas habilidades especiais quanto uma fonte de angústia, especialmente quando interferem com atividades diárias ou interações sociais. Adicionalmente, a hipersensibilidade sensorial é comum, podendo ser tanto uma vantagem quanto uma desvantagem, dependendo do contexto. A combinação de habilidades cognitivas elevadas e características do TEA pode levar a uma subutilização do potencial ou a desafios significativos na adaptação social e acadêmica.

A presença de SI + TEA pode ocasionar uma série de desafios únicos que vão além dos critérios diagnósticos. A combinação dessas duas características pode resultar em uma experiência de vida bastante complexa. Por um lado, a superdotação pode levar a uma intensa curiosidade intelectual e habilidades cognitivas avançadas, o que pode causar frustração quando não encontram ambientes estimulantes ou quando são subestimadas por professores e colegas. Por outro lado, os desafios associados ao TEA, como dificuldades na comunicação social e sensibilidade sensorial, podem dificultar a integração em ambientes sociais e educacionais convencionais. Essas pessoas podem sentir-se isoladas e incompreendidas, pois seus interesses e modos de pensar diferem significativamente dos de seus pares. Além disso, a pressão para se conformar às normas sociais e expectativas pode exacerbar a ansiedade e o estresse, levando a outros problemas emocionais e de saúde mental. Por exemplo, uma criança com SI + TEA pode ser extremamente competente em matemática, mas ter dificuldades significativas para entender e participar de jogos sociais na escola, resultando em sentimentos de exclusão e solidão. A falta de apoio adequado e compreensão por parte de educadores e familiares pode agravar ainda mais esses sofrimentos, tornando crucial a implementação de estratégias de suporte personalizadas que levem em consideração ambas as condições.

A SI em uma pessoa com autismo pode, de fato, retardar o diagnóstico precoce do transtorno, uma vez que as habilidades intelectuais avançadas podem mascarar ou compensar as dificuldades típicas associadas ao TEA. Crianças superdotadas frequentemente desenvolvem mecanismos de adaptação que permitem um desempenho escolar e social relativamente normal, mascarando as dificuldades subjacentes em áreas como comunicação social e comportamento repetitivo. Além disso, os profissionais de saúde e educadores podem atribuir o comportamento incomum a características da superdotação, como interesses intensos e específicos, em vez de considerar a possibilidade de TEA. Consequentemente, esses indivíduos podem receber diagnósticos equivocados (algo comum na prática da psiquiatria e medicina, mesmo com profissionais experientes). Diagnósticos comuns que frequentemente antecedem o reconhecimento do binômio SI + TEA incluem Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno de Ansiedade, Fobias, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Transtorno Explosivo Intermitente (TEI), Transtornos da Personalidade, Transtornos do Humor e dificuldades de aprendizagem específicas. Esses diagnósticos são muitas vezes baseados em sintomas que podem se sobrepor entre as condições, como inquietação, dificuldade de concentração ou déficit de atenção, compulsões, ansiedade, impulsividade, irritabilidade, medos irracionais, isolamento, preocupações excessivas e padrões de comportamento rígidos. 

A prevalência de superdotação na população geral é estimada em cerca de 2% a 3%, dependendo dos critérios e métodos de identificação utilizados. Em relação ao TEA, a prevalência varia significativamente entre os estudos, mas uma estimativa amplamente aceita é de aproximadamente 1% a 2% da população geral, com algumas variações regionais e metodológicas. No que diz respeito à coexistência de TEA com superdotação, embora seja menos frequentemente documentada, a prevalência relatada em estudos específicos é de cerca de 0,1% a 0,5% da população, refletindo a complexidade de identificar e diagnosticar essa dupla excepcionalidade (APA, 2013; BAIRD et al., 2006).


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No campo do desempenho acadêmico, os resultados sobre a leitura em crianças com TEA têm sido inconclusivos quanto a padrões consistentes e robustos de habilidades. A leitura de palavras revelou resultados variados, com relatos de habilidades preservadas e deficientes, dependendo dos critérios e comparações utilizados. Outrossim, foi examinada a habilidade de leitura de palavras em relação ao QI em crianças e adolescentes com TEA, abrangendo uma faixa etária estendida. Observou-se que a maioria dos indivíduos afetados apresentaram habilidades de leitura de palavras comparáveis ou superiores ao previsto pelo QI, sugerindo habilidades de leitura preservadas na maioria dos jovens com TEA. Contudo, a habilidade média de leitura de palavras em indivíduos com TEA frequentemente está abaixo da média, tanto em crianças pequenas quanto em crianças e adolescentes mais velhos, e o uso de escores de desvio pode mascarar deficiências importantes em uma proporção substancial desses indivíduos (CHEN et al., 2019).

A relação entre a habilidade de leitura de palavras e a compreensão de leitura também tem mostrado inconsistências. Enquanto algumas pesquisas indicam que as habilidades de decodificação de palavras individuais são geralmente preservadas ou até superiores em indivíduos com TEA, a compreensão de leitura frequentemente é prejudicada. Por exemplo, em crianças e adolescentes com TEA, as pontuações de compreensão de leitura foram significativamente inferiores às de leitura de palavras, e muitos dos indivíduos que apresentaram leitura de palavras preservada também revelaram compreensão de leitura prejudicada. No entanto, essa discrepância nem sempre foi replicada, com alguns estudos mostrando habilidades comparáveis tanto em leitura de palavras quanto em compreensão de leitura (CHEN et al., 2019).

Em contraste com a leitura, o estudo do desempenho matemático é uma área emergente de pesquisa acadêmica em crianças com TEA, embora os resultados dos estudos iniciais também tenham sido inconsistentes. Algumas pesquisas identificaram um subgrupo de crianças com TEA que mostraram forças relativas nas habilidades matemáticas, distintas de um grande subgrupo que apresentou habilidades matemáticas médias. Investigações mais recentes, porém, têm mostrado alta variabilidade nas habilidades matemáticas, sugerindo que déficits nessas áreas podem ser mais proeminentes do que habilidades excepcionais nessa população. A compreensão de que crianças com TEA apresentam um padrão unitário de forças e déficits em vários subtestes matemáticos, como cálculo e resolução de problemas, ou se a heterogeneidade é manifestada por subgrupos distintos com perfis consistentes de habilidades matemáticas, ainda é uma lacuna crítica na literatura (CHEN et al., 2019).


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A identificação de SI em indivíduos com TEA deve começar com uma avaliação abrangente que inclua testes psicométricos, observações comportamentais e entrevistas com familiares e educadores. Ferramentas como o teste Stanford-Binet ou a Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC) podem ajudar a avaliar as habilidades cognitivas. Avaliações específicas para TEA, como a Escala Vineland de Comportamento Adaptativo, podem fornecer insights sobre as habilidades sociais e adaptativas do indivíduo. É crucial que os profissionais de saúde mental e educadores trabalhem juntos para distinguir entre comportamentos atribuíveis à superdotação e aqueles decorrentes do TEA, garantindo que não haja diagnósticos equivocados.

Uma vez diagnosticados, esses indivíduos devem receber suporte adaptado às suas necessidades únicas. No ambiente familiar, os pais devem ser educados sobre as características da dupla excepcionalidade e receber treinamento para manejar comportamentos desafiadores. É fundamental que os pais ofereçam um ambiente estruturado e estimulante que valorize tanto as habilidades quanto os interesses específicos do indivíduo, ao mesmo tempo em que promovem a socialização e a independência. Grupos de apoio para pais também podem ser úteis para compartilhar estratégias e experiências.

No ambiente escolar, adaptações curriculares são essenciais para maximizar o potencial desses alunos. Programas de enriquecimento, aulas avançadas e oportunidades para projetos independentes podem ajudar a manter esses alunos engajados e desafiados. Além disso, intervenções comportamentais, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), podem ser eficazes para melhorar as habilidades sociais e reduzir comportamentos repetitivos. A colaboração entre educadores, psicólogos escolares e outros profissionais é crucial para desenvolver e implementar um plano educacional individualizado (PEI) que atenda às necessidades específicas do aluno.

No âmbito das terapias, abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) podem ser benéficas para abordar questões de ansiedade e melhorar habilidades sociais. Intervenções baseadas em interesses, como Terapia Ocupacional (TO) focada em atividades preferidas, podem aumentar a motivação e o envolvimento. A participação em grupos sociais organizados, onde interesses compartilhados são explorados, pode promover interações sociais positivas e ajudar esses indivíduos a desenvolverem amizades. É essencial que as terapias sejam ajustadas às necessidades e interesses individuais, garantindo uma abordagem integrada que suporte o desenvolvimento pleno do potencial desses indivíduos (ASSOULINE et al., 2009; MYERS & JOHNSON, 2017).

A Avaliação Neuropsicológica em indivíduos com TEA e superdotação deve ser abrangente e detalhada, considerando aspectos como funcionamento intelectual, atenção, funções executivas, cognição social, linguagem e habilidades motoras. Ferramentas como a NEPSY-II, a WISC e a Vineland Adaptive Behavior Scales  (os dois últimos já mencionados no texto) são comumente usadas para mapear pontos adaptados e deficitários e orientar o planejamento de intervenções. A Avaliação Neuropsicológica deve ser conduzida por psicólogos  e psicólogas experientes e habilitados que possam distinguir entre comportamentos relacionados ao TEA e aqueles atribuíveis à superdotação, auxiliando no diagnóstico preciso e evitando a sub ou superestimação de habilidades (BRACONNIER & SIPER, 2021).

Equipes multiprofissionais são essenciais no manejo dos casos. Essas equipes geralmente incluem psicólogos, neuropsicólogos, TOs, fonoaudiólogos, assistentes sociais, professores, psiquiatras e pedagogos. Cada profissional desempenha um papel específico na avaliação e intervenção, garantindo uma abordagem coordenada. No ambiente escolar, os professores e pedagogos desempenham um papel crucial na adaptação do currículo e na criação de um ambiente de aprendizado inclusivo. Eles podem implementar PEIs que abordem as necessidades acadêmicas e comportamentais específicas do aluno. Programas de enriquecimento, aulas avançadas e oportunidades para projetos independentes podem manter os alunos superdotados com TEA engajados e desafiados. Além disso, a formação contínua de educadores sobre as melhores práticas para ensinar alunos com SI + TEA é fundamental para garantir uma educação eficaz e inclusiva (KANNE et al., 2008).

Os profissionais envolvidos nos cuidados desses pacientes devem trabalhar em estreita colaboração para garantir que todas as necessidades sejam atendadas. Isso inclui reuniões regulares de equipe para discutir o progresso do aluno, ajustar as estratégias de intervenção conforme necessário e garantir que todas as áreas de desenvolvimento sejam abordadas. A comunicação aberta e contínua entre os membros da equipe e as famílias é essencial para o sucesso do plano de intervenção, proporcionando um suporte consistente e coordenado ao longo do tempo (GERDTS et al., 2018).

A utilização de técnicas de arte, como a apreciação artística e a arte-terapia, pode ser uma abordagem complementar eficaz no tratamento de crianças com TEA e superdotação. Essas técnicas podem ajudar a melhorar a cognição e aliviar barreiras cognitivas, proporcionando um meio alternativo de expressão e comunicação. A arte-terapia pode ser particularmente útil para crianças que têm dificuldade em se expressar verbalmente, permitindo que elas explorem suas emoções e desenvolvam habilidades sociais em um ambiente seguro e estruturado (JI, 2023). Dependendo da capacidade adaptativa dos pacientes, ou seja, aqueles com funcionamento mais preservado, aulas de teatro costumam ser indicadas por alguns profissionais como forma complementar de estimular as habilidades e cognições sociais. 


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Por Décio Gilberto Natrielli Filho


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