Blog Desvendando a Personalidade
A Neurociência e Neurobiologia do Desenvolvimento Humano
Acompanho muitas postagens sobre psiquiatria, psicologia e saúde mental nas redes sociais. Invariavelmente, observo as críticas que são desferidas a determinadas práticas da medicina. Há, também, críticas às terapias alternativas ou tratamentos que ainda não foram muito bem estudados conforme o modelo da Medicina Baseada em Evidências. A psiquiatria é uma área da medicina que costuma receber ataques quanto aos tratamentos e medicamentos utilizados para tratar os transtornos mentais.
A intimidade de um consultório médico remonta a práticas milenares. As pessoas que procuram um tratamento psiquiátrico, muitas vezes, esgotaram seus recursos para encontrarem melhora para um quadro clínico que pode corresponder a uma doença, como qualquer outra área das ciências médicas. Para muitas pessoas, ir ao consultório médico é uma tortura, e isso não é exclusividade nossa. As resistências podem envolver buscar auxílio em diversos domínios da vida, não necessariamente da saúde. Contudo, o preconceito à psiquiatria é um tema abordado de forma recorrente. O preconceito realmente prejudica muitos que necessitam de um tratamento médico.
Abaixo, seguem algumas reflexões sobre este tema:
1)Os transtornos mentais têm uma rica história na medicina, com descrições da melancolia desde os tempos hipocráticos. Cuidado ao falar de modismos.
2)Sim, as indústrias farmacêuticas faturam trilhões com todos os medicamentos disponíveis, para todas as especialidades. Isso não significa que todos os médicos são mercantilistas.
3)Antes de se posicionar dizendo que somente as terapias poderiam levar ao paciente, com transtorno mental moderado a grave, tudo aquilo que ele precisa para melhorar, estude as evidências publicadas, elas não sustentam essa crença. Transtorno mental não é escolha e os tratamentos modernos insistem nas abordagens multiprofissionais, sem excluir opções terapêuticas.
4)Não se busca a felicidade com o tratamento psiquiátrico. A felicidade corresponde a uma vivência íntima e singular. Com as prescrições, os psiquiatras não buscam oferecer alegria, revelação, folia, iluminação, euforia ou cura existencial. Na verdade, dependendo da intensidade, prejuízos e duração, estes últimos podem corresponder a sintomas de um transtorno ou efeitos colaterais (inclusive de medicamentos clínicos).
5)Apesar dos manuais de diagnósticos psiquiátricos apresentarem falhas conceituais, continuam como um importante referencial para os profissionais. Saber quando e como usá-los é uma arte, a difícil e desafiadora arte do diagnóstico médico.
6)Artigos sérios com tratamentos medicamentosos para transtornos mentais sempre mostram a curva de resposta ao placebo (dependendo da metodologia), ou seja, nada é negado ou escondido.
7)Transtorno mental não é invenção da indústria farmacêutica e dos médicos gananciosos para induzir a compra de medicamentos e sustentar esse mercado.
8)Se você tem saúde, agradeça! Não compreender o sofrimento do outro pode indicar que o problema esteja na sua falta de empatia. Se isso for verdade, você terá dificuldade para perceber.
9)A despeito das críticas aos tratamentos médicos, curiosamente a população tem envelhecido cada vez mais. Devemos refletir sobre todos os fatores envolvidos nesse fenômeno (dieta, qualidade de vida, vacinas, tratamentos, hábitos saudáveis e exercícios físicos).
10)O preconceito contra pacientes com transtornos mentais persiste e está impregnado nos discursos de ideologia suspeita, pois acabam selecionando aqueles que se moldam ao suposto modelo, negligenciando os demais. E, novamente, se vc estiver nesse grupo de preconceituosos, também terá dificuldades para perceber.
Por Décio Gilberto Natrielli Filho

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