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| Fonte: https://www.sbie.com.br/blog/os-principais-sintomas-do-complexo-de-superioridade-e-como-trata-los/ |
Com a recente publicação no site do UOL - "Viver Bem", sobre o Complexo de Inferioridade, optei por escrever sobre seu polo oposto (em parte!), o Complexo de Superioridade.
Logo abaixo, segue o link com a matéria publicada no canal de jornalismo, para a qual tive a oportunidade de colaborar:
Os conceitos que desenvolvemos sobre nossa imagem, inteligência e habilidades é um processo que nos acompanha desde a mais tenra infância. A ideia de ser superior aos outros requer uma estruturação cognitiva mais complexa. Crianças, dependendo da idade, terão dificuldade para encontrar espontaneamente diferenças em relação aos seus pares. Muitas dessas diferenças serão moldadas dentro do ambiente familiar, quando ele existir, ou de sua cultura.
Assim como a inferioridade, o complexo de superioridade não é uma doença. Contudo, pode fazer parte de personalidades narcisistas e psicopáticas. Muitos podem se perguntar qual seria o nível ideal de autoestima para que não caracterize traços de arrogância e grandiosidade. Não há. Cada um deve ter sua dose de bom-senso, baseado na sintonia com o ambiente, a sociedade e sua cultura. Trata-se de uma harmonia difícil de se estabelecer - dependendo do termostato individual, o ego pode se posicionar muito abaixo ou muito acima, gerando dificuldades nos relacionamentos interpessoais.
Considerar-se com atributos especiais que coloquem a pessoa com a percepção de que é superior aos outros pode denotar problemas de caráter. Muitos nascem com um dom, inteligência ou habilidade especial, que podem lhes conferir certas vantagens em determinadas situações. Entretanto, essas características podem ser acompanhadas de humildade, altruísmo e empatia.
Qual seria a importância de se reconhecer um indivíduo com traços de superioridade? Dificilmente o sofrimento irá aparecer primeiro para essa pessoa, como observado naqueles que se consideram inferiores. Até que suas atribuições de supremacia, domínio e autoridade se tornem evidentes, muitos podem cair em suas redes, serem abusados ou usados para fins de alimentar aquele ego inflado.
Logo no início deste texto, ao considerar o complexo de superioridade como um polo oposto do complexo de inferioridade, fiz uma ressalva entre parênteses e escrevi: em parte! Quando trabalhamos com as diversas formas de desenvolvimento do ego e da personalidade humana, sabemos que muitas pessoas egocêntricas, egoístas, arrogantes e com um senso irreal de grandeza sobre si mesmas, têm, na verdade, uma personalidade frágil, insegura, inconsistente e com um autoconceito totalmente empobrecido. Portanto, a manifestação de superioridade seria, nesses casos, uma defesa ou uma compensação daquele indivíduo emocional e afetivamente desvalido.
Se adotarmos o referencial do narcisismo para o complexo de superioridade, veremos que esses indivíduos tendem a concentrar todas as atenções para si nos relacionamentos, não percebem sua grandiosidade como exagerada, têm dificuldades com empatia e de enxergar o mundo através do referencial dos outros. Muitos podem, devido ao seu ego inflado, sentir ou vivenciar que os outros seriam extensões do seu ego, levando-os a parasitarem e abusarem daqueles que consideram como inferiores. Dependendo da intensidade do complexo e dos traços narcisistas, não conhecem o sentimento de gratidão e negam a existência da culpa ou remorso. Acabam irritados quando não são admirados e mostram-se indiferentes àqueles que alimentam seus egos.
Atenção para o fato de que pessoas com uma autoestima elevada, com temperamento hipertímico, alegres e sociáveis, não entrariam nesse contexto de superioridade. Podem, dependendo do convívio, passar esta impressão, mas faltam-lhe todas as outras características já mencionadas. Curiosamente, são fortes candidatas para gerar sentimentos de inveja e incômodo naqueles com complexo de superioridade. Ter uma boa autoestima, ser alegre, considerar-se bem resolvido e relacionar-se de forma saudável com a sociedade incomoda muita gente - este é um sinal de que os incomodados são grandiosos, mas infelizes, invejosos, vazios e inseguros.
Não existem medicamentos para pessoas com complexo de superioridade, que não é considerado um transtorno mental, mas uma forma coloquial das pessoas descreverem indivíduos com traços narcisistas ou antissociais. A busca por atendimento psicológico geralmente ocorre por outras demandas, como dificuldade para tolerar frustrações, sentimentos de raiva ou alterações do humor, como irritabilidade ou ansiedade, resultantes dos insucessos para sustentarem aquela imagem que possuem de superioridade. Como qualquer caso, comorbidade com outro transtorno mental pode ocorrer. Transtornos mentais graves, como depressão, bipolaridade, transtornos relacionados a substâncias, transtornos da personalidade, transtornos psicóticos, dentre outros, tentem a ser mais difíceis de tratar em indivíduos com essas características e a relação do profissional com o paciente pode evoluir para o desgaste e quebra da aliança terapêutica.
Por Décio Gilberto Natrielli Filho

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