Blog Desvendando a Personalidade
A Neurociência e Neurobiologia do Desenvolvimento Humano
Desde o início da pandemia escutamos a frase "A humanidade sairá melhor dessa". Ledo engano. Está difícil romantizar o ser humano. Para quem trabalha em saúde mental, o romantismo parece uma defesa psíquica para compensar a voracidade pelo poder.
Muitos criticam teorias evolucionistas alegando que o Homo sapiens transcende o cérebro reptiliano com sua tendência predatória de sobrevivência. Será?
Nesse período mais recente da pandemia tenho observado algumas manifestações que são, no mínimo, curiosas. A dúvida que me salta aos olhos é: como deveria ser o comportamento humano em situações de catástrofes naturais, redução da oferta alimentar e desastres biológicos? Seria realmente esperado que o sapiens buscaria a paz e a integração dos diferentes povos e culturas?
Minha hipótese aqui levantada é a de que esses eventos em larga escala que podem assolar a terra despertariam nas pessoas seus instintos mais primitivos de sobrevivência. Um clichê da biologia. A paranoia e a desconfiança aumentaram nas pessoas. O isolamento mostrou-se (como esperado) tóxico ao convívio tanto na intimidade quanto socialmente. Em tempos de catástrofes, a busca pelo poder aumentou. A necessidade de controle das massas é indício de que muitos sentem-se ameaçados.
Como se não bastasse, enquanto tentamos individualmente sobreviver, usando máscaras, evitando contato com o vírus, mantendo o distanciamento e realizando as imunizações preventivas, um líder político inicia um ataque armado contra o país vizinho. Como diríamos no passado, esse seria o cúmulo da incoerência. Um ato irracional e desumano. Por outro lado, mostra-se, na realidade, como uma triste manifestação tipicamente humana.
Nesses momentos, podemos lembrar do personagem Quincas Borba, do gênio Machado de Assis, sobre sua filosofia fictícia denominada "humanitismo", que em sua argumentação final declara: "Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas".
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Imagem do nosso planeta azul. É do conhecimento popular que o som não se propaga no vácuo. Portanto, de forma imaginária, se alguém estivesse observando a terra desse referencial, estaria imerso num silêncio profundo, contemplando apenas a luz atingindo sua retina.
O pensamento antropocêntrico coloca os indivíduos no centro do universo, negligenciando a ideia de que estamos isolados num canto da Via Láctea, entre 100 e 400 bilhões de estrelas. Estima-se também que existiriam mais de 200 bilhões de galáxias. Exponho essas informações porque o ser humano, aparentemente e até o momento, é a única espécie com a capacidade de pensar sobre os possíveis modelos referentes à sua própria existência.
Com 48 anos de idade, cresci lendo sobre a evolução da humanidade e acompanhei do camarote brasileiro o final da guerra fria, a guerra do golfo, os conflitos no oriente médio e a reorganização geopolítica do leste europeu (além de outros). Com o tempo, desenvolvemos um falso senso de segurança, até a eclosão da última pandemia.
Os últimos dois anos foram marcados por uma guerra midiática, com polarizações que envolveram interesses políticos, econômicos e de poder. A imunização trouxe a esperança de que voltaríamos às nossas rotinas. Enfim, estaríamos novamente seguros em nosso planeta.
O conflito entre Rússia e Ucrânia, tão distante para nós, acena como uma bandeira vermelha de insegurança. Conceitos que definem diferentes traços negativos do comportamento humano voltam a ocupar o centro do universo: narcisismo, grandiosidade, perversão, xenofobia, arrogância, ganância, indiferença, desonestidade e egocentrismo.
Tânatos manteve-se camuflado nas boas intenções humanas: a pulsão de morte persiste como uma força visceral que não se contém diante da oferta de poder. Contudo, retomando o exercício imaginário e considerando que estamos isolados num ínfimo ponto do universo, essa voracidade parece não fazer mais sentido. Que consigamos manter nossa pulsão de vida acesa e que prevaleçam as ações que nos definem como humanos.
REFERÊNCIA: "Pale Blue Dot", de Carl Sagan.
Por Décio Gilberto Natrielli Filho.

Parabéns, Professor Décio!!!
ResponderExcluirValeu Primo!!! Abração!
ExcluirParabéns, Professor Décio!
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