A Personalidade é um fator determinante para a adaptação do indivíduo ao trabalho. Funciona como uma ferramenta cognitiva que irá ditar a capacidade para tolerar frustrações, suportar pressão, relacionar-se com colegas e pessoas hierarquicamente distintas. Também será responsável pela autoimagem, como a pessoa se percebe para o mundo, pela autoestima, o quanto se sente querida e aceita pelo grupo, pela resiliência, como uma capacidade de enfrentamento para as adversidades inerentes ao processo de trabalho.
Seja qual for o local de trabalho, o estresse é o grande vilão. Pressões para produtividade e metas ditam o marca-passo de qualquer profissão. Nem todas as empresas estão determinadas a promover uma cultura de relações saudáveis e qualidade de vida. Contudo, a culpa não é somente das instituições, sejam elas públicas ou privadas. Profissionais autônomos ou liberais podem também caminhar para um regime de atividades estressantes, sendo a autocobrança e a dificuldade para se organizar na balança "tempo versus produtividade", potenciais geradores de esgotamento físico e psíquico.
Em outra postagem deste Blog escrevi sobre a Síndrome de Burnout e como algumas características da Personalidade poderiam funcionar como uma vulnerabilidade para o adoecimento. Para aqueles que se interessam sobre o assunto, segue o endereço:
Qualquer um pode passar por dificuldades no trabalho, pode ser uma fase ruim, um projeto mais difícil, uma equipe instável, um chefe inflexível ou hostil, um problema financeiro da empresa que se reflete no grupo de trabalho. Estes, por exemplo, são fatores externos que irão recair sobre cada indivíduo, levando-os a buscarem estratégias para se adaptarem às mudanças até que uma nova estabilidade apareça.
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| Malmo - Suécia |
Devemos considerar também o ambiente interno de cada um, como o profissional está enfrentando seus problemas pessoais, que eventos recentes de suas vidas poderiam gerar sofrimento, angústias, insônia, alterações do humor, fadiga, dificuldades de concentração, atenção e memória, aumento do consumo de bebida, tabaco ou outras substâncias. Essa pessoa irá levar seu estado emocional para o ambiente de trabalho e lá poderá se sentir melhor ou vivenciar exacerbações em seus sintomas.
Algumas características da Personalidade podem dar uma ideia de como as pessoas terão mais ou menos sucesso em seus desafios. Como sempre, essas características refletem um ideal e servem mais como referenciais para a interpretação dos fenômenos envolvendo a Personalidade. Seguem os principais tópicos que podem conferir adaptação individual em ambientes e grupos de trabalho: capacidade de ser flexível e se moldar aos desafios das suas funções; capacidade de se reconhecer como um indivíduo aceito pelos seus grupos de convívio; capacidade de vivenciar confiança nos colegas; capacidade de delegar funções; capacidade de trabalhar em grupo; sentir-se estável na maior parte do tempo em relação aos seus sistemas de valor, moral e ética; acima de tudo, conseguir conviver com opiniões e crenças diferentes, sem que isso leve a um sentimento de amaça ou necessidade de ruptura das relações; sentir-se estável na maior parte do tempo em relação à sua autoimagem, sentimentos, emoções, humor e autoestima; utilizar-se de mecanismos de defesa maduros para lidar com os problemas e desafios - humor, altruísmo, sublimação, identificação, introjeção e supressão de pensamentos negativos (como ruminações ou preocupações excessivas); apresentar controle e modulação dos seus impulsos, sejam eles através de gastos, drogas, agressividade ou sexo.
Nos próximos parágrafos, descrevo duas formas de apresentação de comportamentos desadaptativos envolvendo traços disfuncionais da Personalidade conforme o manual americano de psiquiatria, o DSM-5. As consequências dos comportamentos, valores e condutas descritos podem atingir pessoas que convivem com aqueles que perpetram atos nocivos e abusivos, além de levar a instabilidades no ambiente de trabalho e nos relacionamentos interpessoais.
Nos próximos parágrafos, descrevo duas formas de apresentação de comportamentos desadaptativos envolvendo traços disfuncionais da Personalidade conforme o manual americano de psiquiatria, o DSM-5. As consequências dos comportamentos, valores e condutas descritos podem atingir pessoas que convivem com aqueles que perpetram atos nocivos e abusivos, além de levar a instabilidades no ambiente de trabalho e nos relacionamentos interpessoais.
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| Moinho de Vento Velho em Malmo - Suécia Foto: Décio Natrielli Filho |
Neste grupo de pessoas, encontramos aquelas com tendências antissociais, com dificuldades para se moldar às regras e convenções sociais. Não importa o posto que ocupe, a atuação predatória sempre irá atingir companheiros, subordinados ou superiores.
Neste caso, não há vivências de empatia ou sentimentos de culpa. Muitas vezes, há o prazer em prejudicar determinados colegas, mentir, enganar ou sair sempre em vantagem. É sabido que pessoas narcisistas também flertam com características psicopáticas, pois tendem a explorar os outros visando o benefício pessoal.
Nem todos os predadores ou psicopatas acabam realizando atos concretamente ilícitos e que levem à sua condenação. Muitos são cautelosos e sabem dos seus limites, evitando condutas que os conduzam a litígios. Mas, quando bem caracterizados, geralmente não se controlam e passam a explorar ou prejudicar terceiros, muitas vezes por simples egocentrismo, desejo de demonstrar poder ou adquirir algum benefício, como promoções ou recompensas.
Na intimidade, psicopatas possuem baixa autoestima e provém de famílias também perversas. Não é uma regra, mas frequentemente encontramos histórias de abusos, negligência ou violência.
O assédio moral, quando devidamente caracterizado, é uma das marcas dos predadores. Podem levar à humilhação alheia com prejuízos para a dinâmica do local de trabalho. Por serem inseguros, procuram manter o controle através da intimidação e das ameaças, muitas vezes veladas, que serviriam como uma proteção ou um escudo em suas fantasias. A sensação de poder é particularmente atraente para os psicopatas. Portanto, podem também atuar através do assédio sexual, que pode enveredar para abusos, dependendo da vulnerabilidade da vítima e do ambiente.
Outra característica é a tendência à irresponsabilidade nas condutas, sem respeito ao espaço alheio ou às consequências para a integridade dos colegas de trabalho. Irresponsabilidade aqui teria uma conotação mais intencional, pois em ambientes onde as pessoas são funcionais e produtivas, o dolo pode prevalecer como forma de conquistar mais espaço, poder e resultados. Portanto, uma justificativa que saliente o não conhecimento que suas atitudes poderiam ter sobre terceiros deve ser bem investigada.
Outra característica é a tendência à irresponsabilidade nas condutas, sem respeito ao espaço alheio ou às consequências para a integridade dos colegas de trabalho. Irresponsabilidade aqui teria uma conotação mais intencional, pois em ambientes onde as pessoas são funcionais e produtivas, o dolo pode prevalecer como forma de conquistar mais espaço, poder e resultados. Portanto, uma justificativa que saliente o não conhecimento que suas atitudes poderiam ter sobre terceiros deve ser bem investigada.
Não existe uma regra para lidar com colegas de trabalho que possuam características antissociais. Principalmente quando esta pessoa é muito próxima, dissimulada em relação à maioria dos outros funcionários e cautelosa quanto às suas condutas predatórias. Outro fator é a capacidade de insight, ou seja, da crítica em relação aos problemas envolvendo as condutas: geralmente não existe ou é bastante prejudicada (neste caso, o comprometimento do insight ou do teste de realidade não invalida o que mencionei no parágrafo anterior sobre a intencionalidade). Esta é a dificuldade para interromper as ações dessas pessoas, não há diálogos que revertam os impasses ou cessem os assédios. Tudo será distorcido e interpretado por um viés muito particular. O distanciamento faz-se imperioso e a busca por aliados também.
Levar a situação para denúncias ou processos legais vai depender da gravidade dos atos e do perfil da vítima. Nem todos sentem-se preparados para enfrentar situações jurídicas e procuram, inclusive, deixar seus empregos em busca de melhores condições de trabalho. São difíceis escolhas, dado que, nestes casos, as habilidades de adaptação individuais, mesmo que bastante saudáveis e maduras, pouco efeito terão diante das atuações predatórias de colegas de trabalho perversos. Novamente, não há regras para a adaptação.
Qualquer pessoa pode ter uma história para contar sobre algum conhecido ou colega com características antissociais e psicopáticas. Muitos conseguem conviver e manter uma distância saudável, mesmo quando habitam um ambiente comum. A habilidade para estabelecer limites e demonstrar segurança não é inerente a todos, mas há como aprender. Este aprendizado será muitas vezes através da experiência e, dependendo das características da Personalidade, a pessoa poderá tomar a decisão que melhor a preservar.
Importante mencionar que quanto mais grave o perfil antissocial de um profissional, mais difícil será para o mesmo aprender com os próprios erros. Neste caso, este indivíduo poderá se prejudicar profissionalmente e se expor de forma que fique evidente para sua rede de contatos as dificuldades para se adequar às normas sociais. Muito comum é a evolução para um comportamento litigante e de responsabilização alheia, como se os outros fossem os culpados por suas dificuldades. Não é raro essas pessoas evoluírem para comportamentos mais graves e prejudiciais.
Qualquer pessoa pode ter uma história para contar sobre algum conhecido ou colega com características antissociais e psicopáticas. Muitos conseguem conviver e manter uma distância saudável, mesmo quando habitam um ambiente comum. A habilidade para estabelecer limites e demonstrar segurança não é inerente a todos, mas há como aprender. Este aprendizado será muitas vezes através da experiência e, dependendo das características da Personalidade, a pessoa poderá tomar a decisão que melhor a preservar.
Importante mencionar que quanto mais grave o perfil antissocial de um profissional, mais difícil será para o mesmo aprender com os próprios erros. Neste caso, este indivíduo poderá se prejudicar profissionalmente e se expor de forma que fique evidente para sua rede de contatos as dificuldades para se adequar às normas sociais. Muito comum é a evolução para um comportamento litigante e de responsabilização alheia, como se os outros fossem os culpados por suas dificuldades. Não é raro essas pessoas evoluírem para comportamentos mais graves e prejudiciais.
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Os narcisistas possuem uma ideia amplificada no que se refere às suas atribuições pessoais e qualidades. Sentem que são melhores e mais inteligentes que os demais, necessitam de atenção e que sejam admirados de forma incondicional. Julgam-se superiores, são arrogantes e menosprezam aqueles que consideram mais fracos. Salientam os defeitos alheios e desvalorizam o trabalho de outros membros da equipe.
De certa forma, um pouco de narcisismo não faz mal a ninguém. É preciso que tenhamos autoestima e que nos valorizemos de alguma forma, senão iremos para o polo oposto, onde reinaria a ruína, a culpa, a desvalia, a vitimização e autocomiseração. Portanto, o continuum entre os polos da autodepreciação e do narcisismo contempla um leque de possibilidades, sendo aqueles que rodeiam o centro desse leque os mais adaptados e com maior habilidade para modular seus afetos, sejam eles direcionados para o próprio ego ou para o outro.
Gabbard (2016), um importante psiquiatra e psicanalista moderno, definiu bem as características narcisistas da geração moderna:
"Para complicar as coisas ainda mais, vivemos em uma cultura narcisista. Em 1979, Christopher Lasch argumentou que uma cultura de narcisismo se desenvolveu em resposta à nossa devoção servil à mídia eletrônica, que prosperou com imagens superficiais ao mesmo tempo em que ignorou a substância e a profundidade. A geração atual de millennials, que vivem suas vidas no Facebook e em outras redes sociais, com um dispositivo eletrônico “colado” em suas mãos, criaram uma nova versão da cultura narcísica. (...) A autoestima e o narcisismo invadiram o discurso social da sociedade. O narcisismo raramente era mencionado na imprensa durante o início dos anos 1970, mas entre 2002 e 2007 ocorreram cerca de cinco mil menções. Desde 1975, algo entre 5 a 10 livros sobre narcisismo foram publicados a cada ano, mas havia menos de três livros em circulação publicados antes de 1970. Um estudo sobre transtorno da personalidade narcisista (TPN) patrocinado pelos National Institutes of Health descobriu que havia aproximadamente três vezes mais pessoas preenchendo os critérios para o transtorno na faixa etária dos 20 aos 29 anos do que na faixa com mais de 65 anos. Na capa da revista Time, os millennials foram caracterizados como a 'geração eu, eu, eu'. Muitos dos jovens adultos dessa geração cresceram com um senso de direito de que eles merecem ser famosos ou bem-pagos sem fazer muito esforço para realizar seus sonhos. Eles cresceram com uma audiência de colegas em redes sociais que ofereceram gratificação instantânea e valorização da autoestima em bases contínuas ao longo do dia e mesmo durante altas horas da noite”.
Certamente, as formas de comunicação modernas facilitaram a divulgação e o conhecimento a respeito das tendências narcísicas da humanidade. Entretanto, há uma vasta literatura sobre o assunto referente à nossa história de narcisismo, que também pode ser observada através das artes e da mitologia.
Como os narcisistas não irão romper necessariamente com as normas sociais e as leis, a possibilidade de sobrevivência e perseveração dos comportamentos parasitários pode aumentar. Nas empresas, os narcisistas tendem a atrair a atenção para si e, quando não conseguem, sentem-se desconfortáveis. Farão de tudo para que voltem às suas posições de segurança, que também envolvem situações de poder. Aqui, também, o poder é um assunto central e atraente. Em suas vivências mais íntimas, também flertam com sentimentos de insegurança, insuficiência e baixa autoestima. Por este motivo evitam a qualquer custo vivências que envolvam fracasso, frustração ou humildade - sinais de fraqueza e vulnerabilidade.
De certa forma, um pouco de narcisismo não faz mal a ninguém. É preciso que tenhamos autoestima e que nos valorizemos de alguma forma, senão iremos para o polo oposto, onde reinaria a ruína, a culpa, a desvalia, a vitimização e autocomiseração. Portanto, o continuum entre os polos da autodepreciação e do narcisismo contempla um leque de possibilidades, sendo aqueles que rodeiam o centro desse leque os mais adaptados e com maior habilidade para modular seus afetos, sejam eles direcionados para o próprio ego ou para o outro.
Gabbard (2016), um importante psiquiatra e psicanalista moderno, definiu bem as características narcisistas da geração moderna:
"Para complicar as coisas ainda mais, vivemos em uma cultura narcisista. Em 1979, Christopher Lasch argumentou que uma cultura de narcisismo se desenvolveu em resposta à nossa devoção servil à mídia eletrônica, que prosperou com imagens superficiais ao mesmo tempo em que ignorou a substância e a profundidade. A geração atual de millennials, que vivem suas vidas no Facebook e em outras redes sociais, com um dispositivo eletrônico “colado” em suas mãos, criaram uma nova versão da cultura narcísica. (...) A autoestima e o narcisismo invadiram o discurso social da sociedade. O narcisismo raramente era mencionado na imprensa durante o início dos anos 1970, mas entre 2002 e 2007 ocorreram cerca de cinco mil menções. Desde 1975, algo entre 5 a 10 livros sobre narcisismo foram publicados a cada ano, mas havia menos de três livros em circulação publicados antes de 1970. Um estudo sobre transtorno da personalidade narcisista (TPN) patrocinado pelos National Institutes of Health descobriu que havia aproximadamente três vezes mais pessoas preenchendo os critérios para o transtorno na faixa etária dos 20 aos 29 anos do que na faixa com mais de 65 anos. Na capa da revista Time, os millennials foram caracterizados como a 'geração eu, eu, eu'. Muitos dos jovens adultos dessa geração cresceram com um senso de direito de que eles merecem ser famosos ou bem-pagos sem fazer muito esforço para realizar seus sonhos. Eles cresceram com uma audiência de colegas em redes sociais que ofereceram gratificação instantânea e valorização da autoestima em bases contínuas ao longo do dia e mesmo durante altas horas da noite”.
Certamente, as formas de comunicação modernas facilitaram a divulgação e o conhecimento a respeito das tendências narcísicas da humanidade. Entretanto, há uma vasta literatura sobre o assunto referente à nossa história de narcisismo, que também pode ser observada através das artes e da mitologia.
Como os narcisistas não irão romper necessariamente com as normas sociais e as leis, a possibilidade de sobrevivência e perseveração dos comportamentos parasitários pode aumentar. Nas empresas, os narcisistas tendem a atrair a atenção para si e, quando não conseguem, sentem-se desconfortáveis. Farão de tudo para que voltem às suas posições de segurança, que também envolvem situações de poder. Aqui, também, o poder é um assunto central e atraente. Em suas vivências mais íntimas, também flertam com sentimentos de insegurança, insuficiência e baixa autoestima. Por este motivo evitam a qualquer custo vivências que envolvam fracasso, frustração ou humildade - sinais de fraqueza e vulnerabilidade.
Serão egoístas e individualistas nos projetos, pensando sempre no sucesso individual e, muitas vezes, em detrimento do sucesso da empresa ou do trabalho coletivo. Apresentam dificuldades para cooperar, compartilhar, confiar, ceder, trocar e delegam apenas se não lhes causar prejuízos.
O insight e a capacidade de reconhecer seu próprio narcisismo também se mostram prejudicados ou ausentes. Daí a dificuldade para dialogar ou estabelecer uma relação mais cooperativa e até respeitosa. Não serão funcionários ou profissionais descartáveis, muitas vezes são bastante adaptados e vivem como sanguessugas de colegas que consideram inferiores ou vulneráveis. Podem conseguir reunir muitos seguidores para seu círculo de trabalho, desde que eles aceitem suas posições de serviçais e explorados.
Tanto quanto os psicopatas, os narcisistas possuem um discurso sedutor e persuasivo. São persistentes em seus posicionamentos, mesmo que denotem abuso ou descaso com o outro, e se utilizam de inúmeros argumentos para convencer suas vítimas, sem poupar mentiras, manipulações, chantagens ou ameaças veladas. Diante de tanta soberba, seu verdadeiro núcleo de insegurança e insuficiência permanece oculto para os outros.
As capacidades para amar e sentir empatia também se apresentam prejudicadas nos narcisistas e nos psicopatas. Essas tendências irão se refletir nos relacionamentos profissionais. Trabalhar numa empresa ou instituição, dependendo da profissão ou função, pode exigir um convívio muito intenso e próximo com outros funcionários. Não importa qual a posição, qualquer pessoa dedicada ao trabalho irá se expor aos desgastes das relações interpessoais. Neste sentido, um narcisista pode se aproveitar das brechas e identificar colegas vulneráveis para torná-los seus dependentes. Pode se indispor com outro com um ego também insuflado, o que geraria uma disputa muito fácil de se identificar em qualquer meio. Infelizmente, esse embate entre narcisistas pode respingar naqueles que estão ao redor e gerar instabilidade no ambiente, interferindo na qualidade de trabalho do grupo e nos resultados da empresa ou instituição.
Muitos podem argumentar que esses processos acima descritos são naturais e refletem o comportamento humano, sendo que não podemos escapar das disputas, conchavos, manipulações, intrigas, hostilidades ou qualquer tipo de conduta que reflita a valorização do ego de cada indivíduo. Realmente, este é um dilema e representa a grande dificuldade de interpretar os fenômenos grupais, principalmente aqueles envolvendo a dinâmica de trabalho. Como escrevi em outras publicações, trata-se de um sistema dinâmico e complexo, como qualquer fenômeno natural. As dinâmicas sociais e grupais refletem interações com variáveis difíceis de mensurar e agrupar. Curiosamente, nosso cérebro funciona da mesma forma, através da identificação de padrões e adequação do comportamento individual às demandas do ambiente e do grupo, muitas vezes sem que tenhamos consciência do processo. Desta forma retornamos ao início do raciocínio: por vias que ainda não conseguimos mensurar ou monitorar, algumas pessoas possuem características flexíveis e adaptadas de personalidade, enfrentam as adversidades com maior resiliência, possuem intuição quanto a possíveis ameaças ou assédios, são seguras, modulam a impulsividade, a ganância e a necessidade de poder. Enfim, conseguem viver com uma sensação estabilidade, segurança e maturidade.
As capacidades para amar e sentir empatia também se apresentam prejudicadas nos narcisistas e nos psicopatas. Essas tendências irão se refletir nos relacionamentos profissionais. Trabalhar numa empresa ou instituição, dependendo da profissão ou função, pode exigir um convívio muito intenso e próximo com outros funcionários. Não importa qual a posição, qualquer pessoa dedicada ao trabalho irá se expor aos desgastes das relações interpessoais. Neste sentido, um narcisista pode se aproveitar das brechas e identificar colegas vulneráveis para torná-los seus dependentes. Pode se indispor com outro com um ego também insuflado, o que geraria uma disputa muito fácil de se identificar em qualquer meio. Infelizmente, esse embate entre narcisistas pode respingar naqueles que estão ao redor e gerar instabilidade no ambiente, interferindo na qualidade de trabalho do grupo e nos resultados da empresa ou instituição.
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REFERÊNCIA
DSM-5. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
GABBARD GO. Psiquiatria psicodinâmica na prática clínica. 5ª Ed. Porto Alegre : Artmed, 2016.




Análise fascinante acerca dos processos relacionados; mas,me parece que há uma trama ou uma teia que sustenta e subjaz modelos de exclusão que, como bem foi citado, se guia pela obscuridade que se revelam tais perfis na dinâmica sociointerativa nas organizações e ,por que não, nos lares e, estes, com seus ditames, também, psicopáticos: costume de casa, vai à praça. Já dizia a minha avó.
ResponderExcluirObrigado pela colaboração! Se compreendi a mensagem, concordo que muitas vezes a formação de uma personalidade antissocial ocorre nos lares, onde poderemos encontrar uma cultura de perversão e psicopatia.
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